Brasil amplia protagonismo global na exportação de frutas e aposta na Ásia para crescer até 2030
abr, 23, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202617
O Brasil consolidou sua posição como um dos principais players da fruticultura mundial, ocupando atualmente o posto de terceiro maior produtor de frutas do planeta, atrás apenas de China e Índia. Nos últimos dez anos, o país registrou crescimento expressivo nas exportações do setor, com avanço de 38% em valor e 62% em volume, refletindo ganhos em qualidade, produtividade e organização da cadeia. Em 2025, o país atingiu um recorde de aproximadamente US$ 1,5 bilhão em exportações de frutas, com saldo positivo na balança comercial próximo de US$ 400 milhões.
Estruturação do setor
Segundo Eduardo Brandão, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), esse avanço está diretamente ligado à estruturação do setor a partir de 2013 e 2014, quando a criação da entidade impulsionou a organização produtiva e a promoção internacional das frutas brasileiras. Desde então, o segmento vem acumulando recordes consecutivos, com impactos socioeconômicos relevantes em diversas regiões produtoras, além de representar cerca de 16% da mão de obra do agronegócio nacional.
Principais produtos
Entre os principais produtos exportados, destacam-se manga, uva, limão, melão, melancia e mamão. A manga lidera em valor, enquanto o limão e o melão se destacam em volume. Nos últimos anos, no entanto, frutas não tradicionais vêm ganhando espaço, como o avocado (abacate Hass), que se tornou uma das “vedetes” do mercado externo. Impulsionado pela demanda global por alimentos saudáveis, especialmente após a pandemia, o produto entrou no ranking das dez frutas mais exportadas pelo Brasil e apresenta forte potencial de crescimento.
Confira a seguir um histórico das exportações de melões frescos (NCM 0807.19.00) do Brasil desde janeiro de 2023. Os dados foram obtidos e processados pela Datamar.
Exportação de Melão | Jan 2023-Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Mercado interno robusto
Apesar do desempenho positivo nas exportações, o Brasil ainda mantém um mercado interno robusto, que demanda a importação de frutas que não são produzidas em larga escala no país, como pera, pêssego e ameixa. Ainda assim, o saldo comercial segue favorável, evidenciando a competitividade da produção nacional. Esse diferencial é atribuído, principalmente, à qualidade das frutas brasileiras e à capacidade de adaptação às exigências dos mercados internacionais.
Foco na Ásia
A Europa permanece como principal destino das exportações, absorvendo cerca de 60% da produção enviada ao exterior. No entanto, o setor busca diversificar mercados, com foco estratégico na Ásia, considerada o maior polo consumidor de frutas tropicais até 2030. Países como Índia e China têm ganhado relevância, com abertura recente para produtos brasileiros como limão, maçã e avocado. A participação em feiras internacionais e ações promocionais, em parceria com a ApexBrasil, têm sido fundamentais para ampliar a presença nesses mercados.
Ready to eat
Outro desafio central do setor é a logística. A maior parte das exportações (cerca de 90%) é realizada por via marítima, em contêineres refrigerados, enquanto frutas mais sensíveis e de maior valor agregado são enviadas por transporte aéreo. A necessidade de garantir que o produto chegue ao consumidor final em condições ideais, o chamado “ready to eat”, exige planejamento rigoroso e adaptação constante, considerando as preferências específicas de cada mercado.
Capacidade de produção
Além disso, o Brasil se destaca por sua capacidade de produção ao longo de todo o ano, favorecida por condições climáticas e de solo diversificadas. Esse fator garante vantagem competitiva frente a outros países, especialmente em períodos de entressafra no hemisfério norte. Combinado ao investimento em qualidade, promoção internacional e abertura de novos mercados, o setor de fruticultura brasileira projeta crescimento contínuo, reforçando seu papel estratégico na economia e no desenvolvimento regional.
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