Brasil corre para proteger exportações de carne à UE diante de novas regras sanitárias
jul, 24, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202630
O Brasil intensificou as negociações com a União Europeia para evitar restrições às exportações de carne bovina, carne de frango, ovos e animais vivos, um fluxo comercial que movimenta mais de US$ 1,8 bilhão por ano.
As tratativas ocorrem antes do prazo de 3 de setembro, quando o Brasil deverá comprovar que atende às novas exigências sanitárias da UE sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária.
A questão é estratégica para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e de frango. Manter o acesso ao mercado europeu ajuda o país a preservar sua vantagem competitiva sobre outros fornecedores latino-americanos em um dos mercados de alimentos mais exigentes e de maior valor do mundo.
O Ministério da Agricultura intensificou as trocas técnicas com as autoridades europeias e enviou informações adicionais sobre os sistemas oficiais de inspeção e rastreabilidade do país. O objetivo é impedir que as exportações brasileiras de proteína animal percam acesso à União Europeia, segundo principal destino do setor, atrás apenas da China.
A União Europeia endureceu recentemente as regras para o uso de antibióticos na produção pecuária como parte de sua estratégia de combate à resistência antimicrobiana. Pelo novo regulamento, fornecedores estrangeiros devem comprovar que seus padrões são equivalentes aos exigidos dentro do bloco.
Dados da Datamar revelam que 3.409 TEUs de carne bovina, resfriada ou congelada, foram enviados aos 27 países da UE entre janeiro e maio. Confira a seguir os volumes registrados mensalmente:
Exportação de Carne Bovina – UE | Jan 2023 – Mai 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Brasil lidera importações de carne de frango da UE
Os números ajudam a explicar a rapidez da resposta brasileira. No segmento de carne de frango, o Brasil já é o principal fornecedor externo da União Europeia, com ampla vantagem sobre os concorrentes. A Argentina, por outro lado, possui participação apenas marginal nesse mercado.
Principais fornecedores de carne de frango para a União Europeia em 2025
| Fornecedor | Importações da UE (mil toneladas) | Posição competitiva |
|---|---|---|
| Brasil | 211 | Principal fornecedor externo do mercado europeu |
| Reino Unido | 191 | Segundo maior fornecedor, com forte presença comercial |
| Tailândia | 169 | Concorrente asiático consolidado |
| Ucrânia | 166 | Fornecedor relevante apesar das pressões geopolíticas |
| China | 73 | Presença moderada no mercado europeu |
| Argentina | 9 | Participação limitada, muito atrás do Brasil |
| Outros países | 17 | Oferta diversificada de menor escala |
Fonte: Trade Map / RaboResearch, 2025.
Brasil busca defender mercados e ampliar liderança regional
Além do desafio sanitário, a resposta brasileira demonstra a tentativa do país de se antecipar a exigências comerciais que ganham cada vez mais importância para os exportadores de alimentos.
Enquanto alguns países costumam adaptar seus sistemas apenas após a entrada em vigor de novas regras, o Brasil busca se antecipar por meio de negociações diplomáticas, suporte técnico e coordenação com os frigoríficos.
A estratégia não visa apenas preservar um mercado de alto valor agregado, mas também transmitir previsibilidade aos compradores internacionais, atributo cada vez mais relevante nas cadeias globais de abastecimento de alimentos.
Ainda assim, persistem incertezas. O setor exportador de carne bovina reconhece que cumprir integralmente as novas exigências da UE antes do prazo será um desafio, embora as empresas continuem trabalhando em conjunto com o governo para reduzir os riscos.
Analistas do Rabobank afirmam que, caso sejam impostas restrições, o Brasil poderá redirecionar parte das exportações para mercados como México, Reino Unido e Oriente Médio, reduzindo parte do impacto econômico. Essa capacidade de diversificar destinos reflete a força comercial construída pelo país ao longo das últimas décadas.
Regras, rastreabilidade e certificação tornam-se barreiras comerciais
O caso brasileiro traz uma lição mais ampla para os exportadores agrícolas da América Latina. A competitividade já não depende apenas do volume produzido ou do preço, mas também da capacidade de atender às exigências sanitárias, garantir rastreabilidade e responder rapidamente às novas demandas regulatórias dos grandes compradores.
A União Europeia continua elevando seus padrões ambientais e sanitários, tendência que deve se intensificar nos próximos anos. Esse processo exigirá que os exportadores latino-americanos invistam cada vez mais em certificações, controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e tecnologia.
Para concorrentes regionais como Argentina, Uruguai e Paraguai, o resultado das negociações entre Brasil e União Europeia será acompanhado de perto.
Se o Brasil mantiver pleno acesso ao mercado europeu, reforçará ainda mais sua liderança no Mercosul e consolidará uma vantagem comercial difícil de ser igualada.
Para os setores de comércio exterior e logística, a disputa em torno das exportações brasileiras de carne para a União Europeia demonstra como as barreiras não tarifárias vêm se tornando um fator central no comércio global de alimentos. Nesse cenário, comprovar qualidade, transparência e conformidade regulatória torna-se cada vez mais importante quanto a capacidade de produzir em grande escala.
Fonte: adaptado de AgroLatam.
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