Carnes

Brasil deve manter exportações de frango para a UE, afirma setor

jul, 29, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202631

Uma missão da União Europeia inspecionará produtores brasileiros de aves no fim de agosto para verificar o cumprimento de uma nova etapa de fiscalização adotada pelo governo brasileiro em relação ao uso de antimicrobianos na produção. O anúncio foi feito ontem por Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), durante entrevista coletiva.

As autoridades europeias querem garantias de que os produtores brasileiros de aves não utilizam antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal, nem antibióticos destinados ao uso humano. Em maio, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal para o bloco, sob o argumento de que Brasília não havia demonstrado que essas substâncias não são utilizadas na produção. A restrição está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro.

Segundo Santin, a missão avaliará a produção destinada ao mercado europeu nas empresas inspecionadas. Também serão vistoriadas fábricas de ração, granjas avícolas e unidades de processamento. Ele afirmou que o governo brasileiro já realizava essas inspeções, mas que a UE está exigindo um número maior de auditorias.

Apesar do curto intervalo entre a visita da missão europeia e o início das restrições, Santin disse acreditar que o Brasil deverá conseguir a autorização do bloco para continuar exportando carne de frango ao mercado europeu.

Segundo ele, isso poderá ocorrer caso as autoridades europeias considerem satisfatórias as informações coletadas durante a missão, antes mesmo de a delegação apresentar seu relatório final. As autoridades europeias também poderão optar pela convocação de uma reunião extraordinária para discutir a situação após a conclusão da missão.

“É possível, sim, que as exportações [de frango] sejam retomadas em setembro. A União Europeia já realizou visitas anteriores e verificou isso nas operações do dia a dia”, afirmou. “Continuaremos fazendo o que sempre fizemos. Não utilizamos promotores de crescimento nos produtos exportados para a União Europeia, nem antibióticos destinados ao uso humano. As empresas brasileiras não estão fazendo nada diferente do que sempre fizeram. Sempre mantivemos a produção segregada”, acrescentou.

Caso a UE não autorize as exportações do produto a partir de setembro, no entanto, o Brasil poderá redirecionar esses volumes para outros importadores e para o mercado interno, disse Santin. “A UE responde por 7% das nossas exportações [de frango]. Se esse mercado fechar, poderemos distribuir esses volumes entre os mais de 150 mercados para os quais exportamos.”

Durante a entrevista coletiva, o presidente da ABPA também divulgou projeções para os setores de aves e suínos. O Brasil deverá exportar até 5,875 milhões de toneladas de frango em 2026, aumento de 10,3% em relação ao ano passado. Para 2027, a projeção é de um crescimento adicional de 3%, alcançando 6,050 milhões de toneladas.

A ABPA também estimou que a produção brasileira de frango crescerá até 5,6% em 2026, atingindo entre 16 milhões e 16,150 milhões de toneladas. O crescimento deverá perder ritmo em 2027, quando a produção deverá avançar 2,8%, para 16,6 milhões de toneladas.

Confira  a seguir um histórico das exportações brasileiras de carne de frango a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne de Frango | Jan 2022 a Maio de 2025 | TEU

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Segundo Santin, a desaceleração esperada no crescimento da produção no próximo ano reflete diversos fatores. Um deles é o endividamento das famílias brasileiras, que limita o poder de compra dos consumidores. Além disso, os ganhos de eficiência no setor levaram algumas empresas a “readequar” a produção.

Ele afirmou que as taxas de eclosão — percentual de ovos dos quais nascem pintinhos — melhoraram no último ano. Como resultado, a produção aumentará em 2026, e os volumes adicionais deverão ser absorvidos pelos mercados externos. No entanto, como a demanda interna ainda está em recuperação, as empresas estão trabalhando para ajustar a produção a esse cenário.

Fonte: Globo Rural/Valor International

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.