Outras Cargas

Brasil vê aumentar disputa por fertilizantes após anúncio de Trump

jul, 01, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202627

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender temporariamente as tarifas adicionais sobre determinadas importações de fertilizantes fosfatados deve acirrar a disputa com o Brasil pelo abastecimento desse insumo no mercado internacional para a próxima safra agrícola.

A suspensão dos direitos compensatórios (medidas antissubsídios) dará alívio imediato aos produtores americanos, reduzindo em cerca de 22% o preço dos fertilizantes fosfatados. A medida pode gerar uma economia anual estimada em US$ 1,82 bilhão para aproximadamente 100 mil propriedades rurais, distribuídas por 97 milhões de acres cultivados.

Como revelou o Valor Econômico, o governo brasileiro intensificou as negociações com Rússia, China e Marrocos para garantir o fornecimento de matérias-primas para fertilizantes fosfatados, das quais o país depende integralmente de importações.

Os dados da Datamar apontam um crescimento de 39,2% no volume de fertilizantes importados que chegaram ao Porto de Itaqui entre janeiro e abril de 2024. Confira a seguir um levantamento dos volumes mensais de importação, segundos as informações disponíveis para consulta na plataforma DataLiner.

Importação de Fertilizantes | Jan 2023 – Abr 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre 40% e 45% dos fertilizantes necessários para a safra que está prestes a começar já foram adquiridos. Isso significa que uma parcela significativa ainda precisa ser comprada, evidenciando a forte dependência externa do Brasil nesse mercado.

A Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) alertou que os riscos para a produção mundial de alimentos continuam elevados. A alta dos preços dos insumos, os impactos persistentes sobre a produção e o comércio e a previsão de um forte fenômeno El Niño ampliam as preocupações com a segurança alimentar global.

Para os Estados Unidos, um dos principais fornecedores capazes de ampliar rapidamente a oferta de fertilizantes fosfatados é o Marrocos, país que também está entre os parceiros procurados pelo Brasil para garantir o abastecimento. Um estudo da Universidade Texas A&M estima que os direitos compensatórios impostos pelos EUA aos fertilizantes fosfatados marroquinos elevaram os custos para os agricultores americanos em cerca de US$ 6,9 bilhões entre 2021 e 2025.

Ao anunciar a suspensão temporária dessas tarifas, Donald Trump afirmou que os fertilizantes fosfatados são insumos essenciais para culturas como milho, soja e trigo e que a produção americana é insuficiente para atender à demanda interna.

A Casa Branca justificou a medida citando interrupções recentes nas cadeias globais de suprimento e afirmou que os Estados Unidos precisam diversificar seus fornecedores para reduzir os riscos de desabastecimento e proteger a produção de alimentos.

Trump também solicitou ao Congresso mais de US$ 11 bilhões em ajuda ao setor agrícola para compensar o aumento dos custos com combustíveis e fertilizantes desde o início do conflito com o Irã. O valor será somado aos US$ 12 bilhões já destinados aos agricultores americanos neste ano.

A Unctad destaca que, embora o trânsito pelo Estreito de Hormuz tenha sido retomado, a normalização do comércio internacional será gradual. Enquanto os preços da energia tendem a se ajustar mais rapidamente, o transporte marítimo, os contratos de frete e as cadeias globais de suprimento devem levar mais tempo para se estabilizar.

Segundo a agência da ONU, os países mais vulneráveis serão os mais afetados pelo aumento dos custos de importação de energia e alimentos. Ao todo, 35 países menos desenvolvidos e 26 pequenos Estados insulares em desenvolvimento enfrentam elevada dependência das importações de petróleo e cereais, tornando suas economias mais expostas aos impactos da alta dos preços internacionais.

Fonte: Valor Econômico

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.