Capacidade de compra de milho do Irã, líder em 2025, preocupa setor
abr, 10, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202615
O desenrolar da guerra no Oriente Médio é motivo de muita atenção no setor brasileiro de milho. O precário cessar-fogo atual ainda não traz segurança às expectativas das exportações nacionais, que têm aquele mercado como muito importante. O principal destaque é o Irã, que, no ano passado, ficou com 22% do total de milho exportado pelo Brasil.
Os países do Oriente Médio compraram 12,9 milhões de toneladas, e 10,1 milhões foram enviadas no segundo semestre. Só em agosto e setembro, os meses de maior embarque, foram 3,5 milhões, 35% do volume de julho a dezembro. O Irã ficou com 9,1 milhões de toneladas, seguido da Arábia Saudita (1,7 milhão) e do Iraque (668 mil).
Dados da plataforma DataLiner, da empresa Datamar, confirmam que o Irã foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025. Entre janeiro e novembro de 2025, foram embarcados nos porões de navios aproximadamente 6.298.845 toneladas com destino ao país persa. Esse volume representou cerca de 20% do total exportado pelo Brasil.
Veja abaixo um comparativo mês-a-mês dos dados de exportação de milho para o Irã disponibilizados pela Datamar.
Exportação de Milho para Irã | 2022 – 2025 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O Brasil deverá produzir 132 milhões de toneladas do cereal neste ano, e 43 milhões serão exportados, se tudo correr bem com a safra de inverno, ainda em andamento. Segundo a AgRural, áreas de milho safrinha do Paraná seguem em alerta, devido à baixa umidade. A maior preocupação é no oeste do estado, onde muitas lavouras já estão em fase reprodutiva. Na semana passada, a AgRural já havia apontado preocupações de produtores no norte do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo.
O potencial de compra dos iranianos provavelmente não será o mesmo neste ano, devido aos estragos que a guerra provocou na economia do país. Com potencial menor de compra dos iranianos, o Brasil deverá disputar mercados com os Estados Unidos, que tiveram uma supersafra de 432 milhões de toneladas em 2025/26, e vão exportar 84 milhões de toneladas até 31 de agosto, fim do ano comercial americano. Esse volume é 15,5% superior ao do período anterior. A safra que está sendo semeada nos EUA agora será comercializada em 2026/27.
Além de maior presença americana no mercado, a Argentina também eleva as suas exportações em 28%, e a Ucrânia, em 10%. Um alento é que as importações chinesas sobem para 8 milhões de toneladas. A produção mundial foi projetada pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em 1,3 bilhão de toneladas, nesta quinta-feira (9). O consumo também está nesse patamar.
Além de Irã, Egito, Vietnã, Arábia Saudita, China, Marrocos e Argélia lideram a lista de importadores do cereal brasileiro.
Fonte: Folha de S. Paulo
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