Complexo portuário da Grande Rosario supera New Orleans como principal hub agroexportador do mundo
jun, 01, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202623
A Grande Rosário tornou-se o principal polo portuário exportador de produtos agrícolas do mundo em 2025, retomando a liderança em um ranking que reúne os principais corredores de exportação de grãos, óleos e derivados da Argentina, Brasil e Estados Unidos.
Segundo análise da Bolsa de Comércio de Rosário, os terminais da região do chamado Up-River embarcaram 75,7 milhões de toneladas de grãos, óleos e subprodutos no ano passado. O volume superou a região portuária de Nova Orleans, que movimentou 74,8 milhões de toneladas, e o Porto de Santos, terceiro colocado, com 60 milhões de toneladas.
O resultado reforça a posição da Grande Rosário como principal plataforma exportadora agroindustrial da Argentina e um dos mais importantes corredores logísticos do comércio exterior da região do Rio da Prata.
O complexo reúne 30 terminais portuários ao longo de 70 quilômetros do Rio Paraná, entre Timbúes e Arroyo Seco. Desses, 18 operam produtos agroindustriais que respondem por quase um terço das receitas argentinas com exportação de bens.
Diferentemente de outros grandes corredores exportadores, os navios sobem o Rio Paraná para carregar mercadorias diretamente neste que é o principal polo de produção e processamento agrícola da Argentina. A partir dali, as cargas seguem pela Hidrovia Paraná-Paraguai e pelo Rio da Prata até o Oceano Atlântico.
A relevância da região também está ligada à sua capacidade industrial. A Grande Rosário concentra mais de 52 milhões de toneladas de capacidade anual de esmagamento de oleaginosas, equivalente a 75% do total argentino.
Confira a seguir as dez principais mercadorias exportadas pelo Porto de Rosário entre janeiro a abril de 2026, segundo os dados levantados pela Datamar:
Principais Cargas Exportadas | Porto de Rosário | Jan – Abr | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O desempenho de 2025 marcou a recuperação da região após anos de menor produção agrícola, que a levaram à segunda posição e até ao terceiro lugar em 2023, quando a Argentina enfrentou uma seca histórica.
Na safra 2024/25, a Argentina foi o terceiro maior exportador mundial de commodities agrícolas, com 97,5 milhões de toneladas embarcadas. O Brasil liderou o ranking, com 174,2 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, com 170,6 milhões.
Mesmo considerando apenas os embarques do Grande Rosário, a Argentina ainda ocuparia a terceira posição mundial em volume exportado, à frente de todos os demais países, exceto Brasil e Estados Unidos.
O complexo da soja teve papel central nesse desempenho. A ampla oferta exportável, somada aos efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, impulsionou os embarques de soja na segunda metade do ano. Juntamente com as exportações de óleo e farelo de soja — principal produto exportado pela Argentina —, isso colocou o Grande Rosário na segunda posição mundial entre os polos exportadores do complexo soja, atrás apenas de Santos e à frente de Nova Orleans.
Os embarques de soja e derivados pelos terminais da região atingiram 40,9 milhões de toneladas em 2025, ante 35 milhões de toneladas no ano anterior.
No milho, o Grande Rosário embarcou 22,8 milhões de toneladas, tornando-se o segundo maior polo portuário do mundo nesse segmento, atrás apenas de Nova Orleans. Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, o volume exportado superou as exportações totais de milho da Ucrânia, quarto maior exportador mundial do cereal.
No trigo, a região ocupou a segunda posição entre os polos analisados, com 8,8 milhões de toneladas embarcadas. O relatório ressalta, porém, que algumas regiões portuárias de países como Rússia, Ucrânia e Austrália podem ter movimentado volumes superiores.
A recuperação dos embarques argentinos foi impulsionada pelo aumento da produção de soja e milho na safra anterior. Como consequência, Nova Orleans caiu para a segunda posição do ranking global, enquanto Santos permaneceu em terceiro lugar.
As perspectivas para 2026 também são positivas. Nos quatro primeiros meses do ano, os portos argentinos embarcaram 34,6 milhões de toneladas de grãos, óleos e derivados, um recorde para o período. Desse total, 25,2 milhões de toneladas saíram dos portos do Up-River, também um recorde para o primeiro quadrimestre.
Mantida essa tendência, o Grande Rosário poderá liderar o ranking mundial de exportações agrícolas pelo segundo ano consecutivo, um feito inédito até o momento.
Fonte: Bolsa de Comércio de Rosário
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