Conflito entre EUA e Irã impulsiona onda de encomendas de superpetroleiros
set, 18, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202638
Conflito entre EUA e Irã impulsiona onda de encomendas de superpetroleiros
Os armadores já encomendaram neste ano mais que o dobro de superpetroleiros adquiridos em todo o ano de 2025, em uma onda de compras superior a US$ 20 bilhões, a maior em pelo menos 25 anos. O movimento ocorre enquanto a guerra entre Estados Unidos e Irã reorganiza as rotas comerciais e aumenta a demanda pelo transporte de petróleo em longas distâncias.
Dados do setor citados pela Reuters mostram que as encomendas de navios de transporte de petróleo de grande porte, conhecidos como VLCCs, dispararam em 2026, com algumas estimativas de mercado apontando um total superior a 200 embarcações. No ano passado, foram menos de 100 pedidos. Um VLCC pode transportar cerca de dois milhões de barris de petróleo.
A onda de encomendas indica uma expectativa crescente de que o petróleo percorrerá distâncias cada vez maiores a partir da bacia do Atlântico, à medida que os compradores diversificam suas fontes de abastecimento para reduzir a dependência do Oriente Médio. Também reflete a confiança dos armadores de que o comércio de petróleo em longas distâncias permanecerá resiliente, apesar da transição energética.
Segundo analistas do setor de transporte marítimo, a perspectiva de intensificação dos fluxos de petróleo do Atlântico para a Ásia tem papel importante na retomada da demanda por VLCCs.
Fechamento de Ormuz reorganiza os fluxos globais de petróleo
Refinarias asiáticas e europeias estão tendo de substituir os volumes perdidos após o fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra entre Estados Unidos e Irã.
As exportações de petróleo dos Estados Unidos atingiram níveis recordes, enquanto outros produtores da bacia do Atlântico também ampliam a produção. Brasil, Guiana e Argentina deverão desempenhar um papel crescente nessa expansão.
Estimativas do setor indicam que a produção de petróleo na costa leste da América do Sul poderá aumentar cerca de 2,5 milhões de barris por dia até 2030, com grande parte dessa oferta adicional destinada à Europa e à Ásia. Esses fluxos favoreceriam viagens mais longas e maior utilização de petroleiros de grande porte.
A demanda por VLCCs e por petroleiros menores, do tipo Suezmax, também é sustentada pela necessidade de retirar petróleo do Golfo através do Estreito de Ormuz e, depois, transferir as cargas para navios maiores no Golfo de Omã.
Os produtores do Oriente Médio enfrentam dificuldades crescentes para contratar embarcações dispostas a atravessar o estreito diante da ameaça de ataques iranianos. Isso aumenta a pressão sobre as companhias nacionais de petróleo e os operadores regionais para garantir capacidade própria de transporte.
A situação se agravou depois que um oleoduto saudita que transportava petróleo para o oeste, em direção ao Mar Vermelho, foi danificado.
“A Arábia Saudita precisará participar desse negócio em escala muito maior, pelo menos temporariamente”, afirmou Lars Barstad, presidente-executivo do grupo de transporte de petróleo Frontline, durante uma conferência do setor na Noruega.
Desde o ataque ao oleoduto, os fretes de petroleiros subiram acentuadamente. Os ganhos diários dos VLCCs no mercado spot superaram recentemente US$ 500 mil, ante cerca de US$ 132 mil em fevereiro, antes da guerra, segundo dados de mercado citados pela Reuters.
A necessidade de retirar petróleo do Golfo e aguardar as transferências de carga mantém as embarcações ocupadas por mais tempo, reduzindo a disponibilidade efetiva da frota e sustentando ainda mais a demanda por petroleiros.
Corretores do mercado também estimam que um petroleiro com dez anos de uso pode custar hoje mais do que a encomenda de uma embarcação nova, evidenciando a forte demanda por capacidade de transporte disponível.
Envelhecimento da frota amplia as encomendas
O aumento das encomendas de novas embarcações não é impulsionado apenas pela expectativa de crescimento dos fluxos de petróleo.
Cada VLCC custa aproximadamente US$ 130 milhões para ser construído, segundo estimativas do setor citadas pela Reuters, e a renovação da frota se tornou cada vez mais urgente após anos de poucas encomendas e excesso de capacidade.
Cerca de 20% da frota mundial de VLCCs tem mais de 20 anos, aumentando a pressão sobre os armadores para substituir embarcações antigas.
Contratos recentes incluem navios com entrega prevista para 2029 e 2030, indicando que os armadores esperam uma demanda forte por petroleiros também no médio prazo.
Ao mesmo tempo, VLCCs mais antigos continuam encontrando compradores, em vez de seguir diretamente para o desmanche. Muitos estão sendo incorporados à chamada frota fantasma, utilizada para transportar petróleo sujeito a sanções de países como Rússia, Irã e Venezuela, fora dos sistemas convencionais ocidentais de transporte marítimo e seguros.
O resultado é um mercado de petroleiros sendo transformado por várias forças simultâneas: instabilidade geopolítica no Oriente Médio, aumento da produção de petróleo na bacia do Atlântico, distâncias de navegação maiores e envelhecimento da frota mundial.
Para os armadores de petroleiros, essa combinação criou um dos ciclos mais fortes de encomendas de novas embarcações em décadas. Já para os exportadores de petróleo do Brasil, da Guiana e da Argentina, a mudança poderá reforçar a demanda por capacidade de transporte em longas distâncias, à medida que o petróleo sul-americano ganha participação no abastecimento da Europa e da Ásia.
Fonte: Reuters
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