Portos e Terminais

Cooperativa do RS investe R$ 500 milhões para reativar terminal impactado por enchentes

jun, 30, 2025 Postado porDenise Vilera

Semana202527

O ano de 2024 marcou a história da Cooperativa Central Gaúcha (CCGL), de Cruz Alta (RS) por dois motivos. Um deles foi positivo: a receita da cooperativa, de R$ 2 bilhões, foi recorde, o que permitiu a ela distribuir, em 2025, R$ 28 milhões em dividendos aos produtores de leite que entregaram matéria-prima no exercício anterior.

A outra razão foi um grave acidente: no dia 6 de maio, no ápice das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, um navio graneleiro bateu contra o píer do Termasa, um de seus terminais de grãos no Porto de Rio Grande. A colisão exigiu a paralisação das operações da estrutura, que movimentava, em média, 2 milhões de toneladas por ano.

Para retomar a capacidade operacional no Termasa, a CCGL está investindo R$ 550 milhões em obras de renovação, que, segundo a previsão atual, vão se estender até outubro de 2026. Desse montante, R$ 321,25 milhões são recursos de um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O acidente acabou sendo também uma “oportunidade” para a renovação da estrutura, o primeiro terminal graneleiro do Brasil, inaugurado no início da década de 1970. Os armazéns, que têm capacidade para estocar 320 mil toneladas, também estão sendo remodelados, e o sistema de energia passará por melhorias.

Apesar da paralisação, os 300 trabalhadores do Termasa não perderam seus empregos. A CCGL transferiu as atividades da estrutura para um terminal vizinho, o Tergrasa, que também pertence à cooperativa. “Naquele momento, os funcionários estavam apavorados, porque a cidade de Rio Grande estava alagada, e o local de trabalho deles estava inoperante. Mas entramos e saímos dessa crise juntos”, diz Guillermo Dawson Junior, diretor-superintendente da CCGL.

Juntos, Termasa e Tergrasa empregam 600 pessoas e movimentam 9 milhões de toneladas de grãos por ano. Os terminais são responsáveis por escoar cerca de 70% de toda a soja do Rio Grande do Sul. “Somos terminais bandeira branca. Todas as empresas de grãos do Estado que exportam acabam sendo nossos clientes. Mais de 50% dos granéis agrícolas embarcados no Rio Grande do Sul saem conosco”, explica Dawson.

Além dos recursos para as obras, a CCGL recebeu do BNDES, no ano passado, um crédito emergencial de R$ 93,46 milhões. Os recursos serviram para melhorar o capital de giro e dar liquidez à cooperativa, além de investimentos em ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e de retomada das atividades.

Operação
Ainda que a CCGL tenha participação relevante no escoamento de grãos no Rio Grande do Sul, o braço de logística responde por apenas 30% de seu faturamento. Os outros 70% são provenientes do laticínio, que capta 1,8 milhão de litros de leite por dia. Os fornecedores da matéria-prima são os 2,8 mil cooperados e 16 cooperativas parceiras.

A produção concentra-se principalmente em leite em pó, das marcas CCGL e Qualitem, mas também existem linhas de creme de leite, leite condensado e achocolatado, além de produtos sem lactose. As regiões Norte e Nordeste são o destino de quase 90% de todo o volume de fabricação.

A cooperativa também já exportou leite em pó. “Em alguns momentos, sempre que dólar e mercado internacional estão favoráveis, nós exportamos. Já vendemos para Argélia, Venezuela, Cuba e China. Ainda não exportamos neste ano, mas isso deve ocorrer no segundo semestre, quando deveremos ter preço competitivo e bom volume de leite”, afirma Dawson.

Fundada em 1976, a CCGL chegou a beneficiar 70% do leite do Rio Grande do Sul e era dona da marca Elegê. Em 1996, vendeu os ativos de leite para a Avipal (Eleva), que acabou comprada pela Perdigão antes de esta unir-se à Sadia e dar origem à BRF. Hoje, esses ativos estão com a francesa Lactalis. A CCGL retornou ao segmento de lácteos em 2008.

Fonte: Globo Rural 

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