Dados de exportações e inflação em maio reforçam cenário de desaceleração da China no 2º semestre
jun, 10, 2025 Postado porDenise VileraSemana202524
As exportações da China cresceram em ritmo mais lento em maio, enquanto os preços ao consumidor caíram pelo quarto mês consecutivo, mostraram dados oficiais divulgados na segunda-feira.
Os números saíram horas antes da reunião dos negociadores comerciais dos Estados Unidos e da China em Londres, para negociações com alto grau de dificuldade.
O total de embarques para o exterior aumentou 4,8% em dólares na comparação anual, de acordo com estatísticas divulgadas pela alfândega chinesa. O resultado ficou abaixo da previsão de alta de 5% em pesquisa da Reuters com economistas e abaixo do crescimento de 8,1% registrado em abril.
Os dados refletem um mês de altos e baixos na política comercial entre Estados Unidos e China. No início de maio, as tarifas divulgadas pelo presidente americano, Donald Trump, sobre a China totalizavam 145%, enquanto Pequim retaliou com acréscimos de 125%. Mas, em meados do mês, autoridades americanas e chinesas se reuniram em Genebra, onde concordaram em reduzir temporariamente as tarifas: 30% sobre as remessas da China para os Estados Unidos e 10% sobre os produtos americanos com destino oposto.
As tensões persistiram — inclusive em relação às restrições chinesas a minerais de terras raras essenciais para a fabricação de alta tecnologia —, mas Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, mantiveram um telefonema na semana passada, no qual concordaram em agendar mais negociações.
Apesar da trégua de 90 dias decidida em Genebra, as exportações da China para os Estados Unidos em maio caíram 34,5% na comparação anual, após queda de 21% em abril, enquanto as importações de produtos americanos diminuíram 18,1%, em comparação com uma contração de 13,8% em abril. As exportações para a Europa e os países do Sudeste Asiático aumentaram mais de 10% em maio.
“A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos levou a uma queda acentuada nas exportações para os Estados Unidos, mas o prejuízo foi compensado por exportações mais fortes para outros países”, observou Zhang Zhiwei, presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management. “As perspectivas comerciais permanecem altamente incertas neste momento. A antecipação das exportações ainda está em andamento, o que deve ajudar a manter as atividades exportadoras sustentadas em junho, mas pode diminuir em algum momento no segundo semestre do ano.”
Trump disse que Xi concordou, durante a conversa telefônica, em permitir o fluxo de terras raras para os Estados Unidos.
No fim de semana, o Ministério do Comércio da China afirmou que estava “analisando os pedidos de licença de exportação para terras raras e itens relacionados” em conformidade com a lei, afirmando que havia aprovado “vários” pedidos e que continuaria a fortalecer o processo de aprovação.
Em Londres, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, se reunirão com um contingente chinês liderado pelo vice-premiê, He Lifeng.
Embora Trump tenha insistido que os dois lados estão próximos de um acordo, vários pontos de atrito permanecem. Nos últimos anos, os Estados Unidos têm buscado restringir o acesso chinês a tecnologias críticas e, na semana passada, Lutnick acusou a China de “copiar” tecnologia americana em uma reunião do Comitê de Dotações da Câmara. Ele pediu uma aplicação mais rigorosa dos controles de exportação dos Estados Unidos para a China.
O “Global Times”, jornal porta-voz estatal da China, publicou no domingo um artigo sobre as negociações de Londres com a manchete “Sinceridade é pré-requisito para quaisquer novos resultados negociados”.
Mas Pequim, que se esforça para atingir uma meta de crescimento econômico de “cerca de 5%” este ano, provavelmente também está sentindo pressão.
Os dados do índice de preços ao consumidor (IPC) divulgados na segunda-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas mostraram uma queda de 0,1% em maio, na comparação anual, o quarto mês consecutivo em território negativo. A leitura, que se equiparou à de abril, marca a mais longa sequência de pressão deflacionária em mais de um ano, destacando o consumo fraco e a urgência em manter as exportações em alta.
A retração prolongada do mercado imobiliário e as preocupações com o emprego prejudicaram a confiança, e a guerra comercial com os Estados Unidos está aumentando a incerteza sobre as perspectivas de crescimento.
Com a demanda fraca, as empresas têm tido dificuldades para aumentar os preços e, em vez disso, estão presas em uma guerra de preços, comprimindo as margens de lucro.
“A inflação na China continua estagnada”, escreveu Frederic Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, em nota na sexta-feira.
Os preços dos combustíveis para transporte caíram 12,9% em maio. Os alimentos recuaram 0,4%. O núcleo do IPC, que exclui os preços de alimentos e energia, subiu 0,6%.
Em outro sinal de demanda interna persistentemente fraca, as importações denominadas em dólar caíram ainda mais, 3,4% em maio frente ao ano anterior, após uma queda de 0,2% em abril. O número ficou abaixo da estimativa de declínio de 0,9% da pesquisa da Reuters.
O superávit comercial da China ficou em US$ 103,2 bilhões, acima dos US$ 96,18 bilhões em abril.
Os dados da indústria, por sua vez, começaram a destacar os riscos de não se conseguir um acordo com Washington.
A atividade industrial encolheu pelo segundo mês consecutivo em maio, de acordo com uma pesquisa oficial, enquanto uma pesquisa do setor privado apontou a primeira contração em oito meses.
Embora uma série de cortes nas taxas de juros tenha sido anunciada no mês passado, economistas afirmam que as autoridades poderiam prometer mais gastos fiscais para atingir a meta de crescimento econômico. A Nomura Securities afirmou que Pequim pode aumentar o apoio via política monetária no segundo semestre do ano.
Neumann escreveu que as intensas pressões sobre os preços estão se espalhando para outros países, especialmente na Ásia, onde os produtos e serviços chineses representam uma parcela relativamente alta da demanda local.
As restrições comerciais dos Estados Unidos podem piorar a situação, à medida que a China redireciona as remessas para outros mercados.
“A justificativa para uma maior flexibilização monetária em grande parte da Ásia está se fortalecendo”, disse ele.
Fonte: Valor Econômico
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