De just-in-time a just-in-case: petroleiras defendem mais rotas de exportação
out, 07, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202641
As interrupções provocadas pela guerra com o Irã estão levando a indústria de energia a repensar o modelo just-in-time, baseado em cadeias de suprimentos enxutas e eficientes, e a considerar investimentos em rotas alternativas que permitam contornar o Golfo e o Mar Vermelho.
Os ataques contra a navegação nas proximidades do Estreito de Ormuz e do Estreito de Bab el-Mandeb reduziram as exportações de energia, pressionando os preços e a inflação em diferentes partes do mundo.
“A maior lição desta crise é que precisamos pensar não apenas em produzir, mas também em exportar”, afirmou Patrick Pouyanne, CEO da TotalEnergies, acrescentando que o setor precisa passar de uma lógica just-in-time para uma abordagem just-in-case, com maior preparação para possíveis interrupções.
Pouyanne reiterou os planos da TotalEnergies de participar de um oleoduto ligando o Iraque à Síria e de investir na duplicação da capacidade de um sistema de dutos que chega ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, permitindo contornar o Estreito de Ormuz.
“Para mim, é evidente que preciso participar dessa infraestrutura”, afirmou.
A recuperação do campo petrolífero de Kirkuk pela BP, em parceria com a ConocoPhillips e a estatal turca TPAO, também abriu a possibilidade de desenvolver novas rotas de exportação pelo norte, disse a CEO da BP, Meg O’Neill.
“Sabemos que o governo iraquiano está trabalhando intensamente em rotas alternativas de exportação”, afirmou O’Neill.
Ela ponderou, porém, que não está convencida de que esse tipo de investimento seria a melhor utilização dos recursos dos acionistas da BP, embora possa fazer sentido para outros investidores.
A BP, que busca reduzir seu endividamento, vem vendendo participações em alguns oleodutos.
O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou estar otimista em relação às negociações da companhia americana com o governo iraquiano para entrar nos campos de petróleo West Qurna 2 e Nassiriya.
No início deste ano, a empresa assinou um acordo preliminar com o Iraque para estudar possíveis novos oleodutos destinados a transportar petróleo até os portos mediterrâneos de Ceyhan, na Turquia, ou Baniyas, na Síria.
Wirth, no entanto, alertou que outros investidores provavelmente teriam de arcar com a maior parte do financiamento.
“Não é o tipo de projeto no qual costumamos colocar muito capital próprio”, afirmou. “Acho que seríamos um dos participantes de um consórcio com várias partes que poderia desenvolver algo desse tipo.”
O CEO da Kuwait Petroleum Corporation afirmou, por sua vez, que mantém discussões com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos sobre novos oleodutos conectados aos portos desses países, mas defendeu que os importadores de petróleo também assumam parte dos custos.
“Não podemos simplesmente colocar toda a responsabilidade sobre os produtores e dizer que eles precisam fazer todos os investimentos e deixar tudo disponível para nós”, afirmou Shaikh Nawaf Al-Sabah. “Essa é uma responsabilidade compartilhada.”
Fonte: Reuters
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