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Embraer projeta ampliar entregas e mira retorno ao patamar pré-pandemia

jan, 27, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202605

A Embraer pretende elevar gradualmente a produção de jatos comerciais e voltar ao patamar anual de cerca de 100 aeronaves entregues nos próximos dois anos, impulsionada por uma forte carteira de pedidos de seus jatos regionais. A meta foi confirmada pelo CEO da divisão de aviação comercial da fabricante brasileira, Arjan Meijer.

Em 2025, a Embraer entregou 78 aeronaves comerciais, dentro da faixa projetada pela empresa, entre 77 e 85 unidades. O plano agora prevê um aumento de quase 30% nas entregas e na produção ao longo dos próximos 24 meses. Segundo Meijer, a recuperação não deve se limitar ao nível pré-pandemia. “O primeiro objetivo é voltar às 100 entregas por ano, mas, com a demanda atual e os resultados de vendas, provavelmente será necessário ir além disso”, afirmou em entrevista à Reuters.

A perspectiva positiva é sustentada pelo avanço nas vendas da família E2. No ano passado, a Embraer quadruplicou os pedidos líquidos desses modelos e superou a Airbus na disputa direta com o A220, com 131 encomendas líquidas — incluindo contratos com companhias como All Nippon Airways e LATAM. O movimento reflete a retomada dos investimentos das companhias aéreas, que voltaram a renovar frotas após adiamentos durante a pandemia.

Apesar das incertezas geopolíticas, Meijer disse que a demanda segue consistente. “Há fatores globais que monitoramos de perto, mas não vemos sinais de retração da demanda”, afirmou.

Cadeia de suprimentos e novos projetos

Segundo o executivo, a cadeia de suprimentos apresentou melhora, embora ainda precise atingir maior estabilidade ao longo de 2026. Motores e estruturas aeronáuticas estiveram entre os componentes mais afetados por gargalos nos últimos anos. No caso da Embraer, Meijer avaliou que a Pratt & Whitney, fornecedora dos motores do E2, conseguiu superar a maior parte das restrições de fornecimento e manutenção.

O número de aeronaves E2 paradas por atrasos em manutenção caiu para um dígito, após atingir um pico entre 25 e 40 unidades, e a expectativa é zerar esse contingente até o fim deste ano.

Questionado sobre planos industriais fora do Brasil, Meijer evitou comentar informações de mercado sobre uma possível parceria para montagem de aeronaves na Índia. O tema surge em meio à intensificação das relações bilaterais, com a expectativa de visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático nas próximas semanas.

No desenvolvimento de novos modelos, o executivo indicou cautela. A Embraer, segundo ele, não tem pressa em lançar um sucessor imediato para a atual família de jatos e concentra esforços, por ora, na evolução tecnológica. “Um novo programa é uma decisão de grande impacto e precisa ser tomada com cuidado”, afirmou.

Reportagem de Tim Hepher
Edição de Jamie Freed

Fonte: Reuters

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