Portos e Terminais

ES quer atrair novas cargas e mais negócios

abr, 20, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202615

Os investimentos previstos nos portos do Espírito Santo podem mudar o perfil das cargas escoadas pelo Estado, dizem especialistas. Nos próximos cinco anos, terminais capixabas receberão R$ 6,5 bilhões em aportes, calcula a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes). Considerando modais anexos, os valores projetados são ainda maiores. E é na integração de modais que a maior diversificação e a atração de novos negócios estão ancorada.

Um dos grandes empreendimentos em curso é o Parklog, um parque logístico em Aracruz, no norte do Estado, que vai integrar portos, aeródromos, ferrovias, rodovias, retroáreas e a primeira Zona de Processamento de Exportações (ZPE) privada. A empreitada, uma parceria público-privada (PPP) entre o governo estadual e várias empresas, soma R$ 12,3 bilhões em investimentos.

Uma das participantes, a Vports – concessionária dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho – desenvolve um terminal multipropósito de 522 mil m2. A companhia ainda faz melhorias no porto da capital que permitiram o recebimento de navios do tipo Panamax e, em Vila Velha, definiu investimentos de R$ 35 milhões para aumentar a área de contêineres em 70 mil m2, 60% do total atual.

O terminal de Vila Velha foi beneficiado por outro investimento, a recuperação da ferrovia interna que liga o porto à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e à Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM), o que deve incrementar o movimento de cargas. “Abrirá caminhos para uma nova rota logística entre a região Centro-Oeste, com ênfase para Goiás, o Triângulo Mineiro e o Espírito Santo”, diz o presidente da VPorts, Gustavo Serrão.

Desde 2022, quando assumiu a concessão dos portos capixabas, a Vports investiu cerca de R$ 600 milhões. Divididos com parceiros, os recursos foram usados para modernização de estruturas e novos equipamentos. Os resultados já apareceram. O Complexo Portuário de Vitória movimentou 8,4 milhões de toneladas no ano passado, alta de 15% em relação ao ano anterior. Houve crescimento nas principais cargas: café, granito, carros e contêineres.

Também está em construção, na área do Parklog, o porto da Imetame, com previsão de entrar em operação no ano que vem e investimentos de R$ 2 bilhões. A prioridade será para cargas gerais, com implantação gradual da operação de contêineres, e como alternativa para o escoamento da produção de petróleo. “Especialmente para os campos terrestres do norte capixaba, que carecem de opções adequadas. E servirá também para as bacias do Espírito Santo e de Campos”, diz Anderson Carvalho, diretor de operações do Imetame Logística Porto.

Com área total de mais de 1 milhão de m2 e perfil multipropósito, haverá capacidade para navios de grande porte e um ramal ferroviário com cerca de 6,5 km. Essa pequena ferrovia fará a ligação com a EFVM e, a partir de Belo Horizonte, com a FCA, o que favorecerá o escoamento de grandes volumes, como grãos e minerais.

Para Paulo Baraona, presidente da Findes, os investimentos em curso podem mudar a característica dos portos do Estado: “Estamos diante da oportunidade de transformar a operação portuária, que sairá de portos feeder [que de baixa profundidade, que não podem receber grandes embarcações] para hubs e portos com maior capacidade de operar navios de longo curso”.

Outro fator que pode contribuir para essa mudança é a construção do Anel Ferroviário do Sudeste, uma linha férrea projetada para ir de Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES), conectando portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo às EFVM e à Malha Sudeste. “[Os portos] Podem se transformar de hub de minérios para portos diversificados, com a inclusão de grãos e contêineres”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura.

Essa transição, avalia Baraona, trará redução dos custos logísticos, ampliação no número de rotas e diminuição do tempo de trânsito entre origem e destino. “São fatores que tornam o produto capixaba mais competitivo”, afirma. E a nova infraestrutura, acrescenta, têm potencial de atrair outros investidores.

Fonte: texto de Simone Goldberg para o Valor Econômico

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