EUA devem ganhar espaço nas exportações de celulose brasileira

out, 28, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202544

A participação do Brasil no mercado global de celulose deve aumentar 6% até 2030, chegando a 34%, impulsionada pela entrada de novas fábricas e pela substituição da fibra longa (pinus) pela fibra curta (eucalipto), segundo o Rabobank.

Embora a China continue sendo o principal destino da celulose de fibra curta brasileira, o avanço da produção integrada no país deve reduzir o volume importado nos próximos anos. Isso abre espaço para que os Estados Unidos — segundo maior destino do produto — ganhem ainda mais peso nas exportações do Brasil.

Tradicionalmente, os produtores chineses operavam com custos elevados e pouca disponibilidade de madeira, o que os levava a consumir grandes volumes de celulose de mercado. Mas, com a crise imobiliária no país, em 2021, a madeira antes destinada à construção civil passou a sobrar, impulsionando projetos integrados de celulose para absorver o excedente.

Segundo dados do Rabobank, o volume de celulose de fibra curta integrada na China saltou de 5 mil toneladas em 2016 para 9,5 mil em 2024. O banco projeta que, em 2027, esse número deve chegar a 14,5 mil toneladas — um crescimento de quase 53%.

“Das fábricas planejadas nos últimos três anos, ninguém estava mapeando isso”, afirma Andres Padilla, analista do Rabobank. Ele pondera que o mercado tende a se adaptar, com as capacidades mais eficientes ocupando o espaço das menos produtivas. De toda forma, parte dessa demanda precisará ser redirecionada, e os Estados Unidos aparecem como um destino promissor para a fibra brasileira.

Em 2024, o Brasil respondeu por 82% das importações de celulose de fibra curta dos EUA, totalizando cerca de 2 milhões de toneladas, segundo o relatório do Rabobank. Esse volume representa um avanço de 74% em relação a uma década atrás e corresponde a uma taxa média de crescimento anual de 4,7%. A matéria-prima é usada principalmente na produção de papéis tissue, como papel higiênico e lenços.

No segmento de fibra longa, utilizada na fabricação de embalagens de papel, o fornecimento para os EUA sempre foi dominado pelo Canadá. No entanto, após a pandemia, mudanças no mercado abriram espaço para a celulose brasileira e europeia. Em 2024, o Brasil passou a responder por 10% das importações de fibra longa dos EUA — cerca de 300 mil toneladas — enquanto a participação do Canadá caiu para 75%, segundo o banco.

Fonte: Valor Econômico

 

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