EUA e Irã discutem acordo de curto prazo para encerrar os combates
maio, 07, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202619
Estados Unidos e Irã avançaram nas conversas sobre um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, disseram fontes e autoridades ouvidas nesta quinta-feira (7). A proposta em discussão prevê uma estrutura preliminar para cessar os combates, mas deixa de fora os temas mais sensíveis que seguem dividindo os dois lados.
A negociação gira em torno de um memorando de curto prazo, e não de um acordo de paz abrangente. Isso evidencia a profundidade das divergências entre Washington e Teerã e indica que, se sair do papel, o entendimento terá caráter provisório.
A simples perspectiva de um acordo, ainda que parcial, já mexe com os mercados, na expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira (7), as bolsas globais estavam próximas de máximas recordes, enquanto o petróleo ampliava as perdas diante da aposta de que os gargalos de oferta podem diminuir.
Diante da persistência dos impasses — sobretudo em torno do programa nuclear iraniano, incluindo o destino dos estoques de urânio altamente enriquecido e por quanto tempo Teerã interromperia suas atividades nucleares —, Estados Unidos e Irã deixaram de lado, ao menos por ora, a ambição de um acordo amplo. No lugar disso, passaram a cogitar uma fórmula temporária para evitar a retomada do conflito e dar alguma estabilidade à navegação no estreito, segundo fontes e autoridades.
“Nossa prioridade é que eles anunciem o fim definitivo da guerra. O restante das questões pode ser resolvido quando as negociações diretas forem retomadas”, disse à Reuters uma autoridade paquistanesa de alto escalão envolvida na mediação entre os dois países.
Segundo as fontes, a proposta em discussão está organizada em três etapas: formalizar o fim da guerra, solucionar a crise no Estreito de Ormuz e abrir uma janela de 30 dias para negociar um acordo mais amplo. “Seguimos otimistas”, afirmou Tahir Andrabi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, ao ser questionado em Islamabad sobre a possibilidade de um acordo. “A resposta mais simples é que esperamos um entendimento mais cedo do que tarde.”
Trump demonstra otimismo; Irã reage com ceticismo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, vem comentando publicamente a possibilidade de um acordo diplomático — também adotou um tom otimista. “Eles querem fazer um acordo… isso é muito possível”, disse à jornalistas na Casa Branca na quarta-feira. Mais tarde, acrescentou que “isso vai acabar rapidamente”.
A proposta prevê o encerramento formal do conflito, interrompido por um cessar-fogo anunciado em 7 de abril. Ainda assim, segundo fontes, ele não resolve exigências centrais dos Estados Unidos, como a suspensão do programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, Israel — que também enfrenta o Hezbollah, aliado do Irã, no Líbano — afirmou nesta quinta-feira ter matado um comandante do grupo em um ataque aéreo a Beirute no dia anterior, o primeiro bombardeio israelense sobre a capital libanesa desde o cessar-fogo firmado no mês passado. O Hezbollah abriu essa nova frente contra Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. A interrupção dos ataques israelenses no Líbano é uma das exigências centrais de Teerã nas tratativas com Washington.
Do lado iraniano, a reação à proposta americana foi marcada por cautela e desconfiança. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que Teerã responderá “no devido tempo”, enquanto o deputado Ebrahim Rezaei afirmou que o texto se parece “mais com uma lista de desejos dos Estados Unidos do que com algo real”. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, ironizou as notícias de avanço nas negociações ao escrever nas redes sociais que a “Operação Confia em Mim, Irmão” fracassou, sugerindo que as tratativas seriam uma tentativa de Washington de controlar a narrativa após não conseguir reabrir o estreito.
Mercado reage com queda do petróleo e alta das bolsas
As notícias sobre um possível acordo derrubaram o petróleo. O Brent recuou 3%, em torno de US$ 98 por barril, depois de já ter caído quase 8% na quarta-feira. As bolsas globais também subiram, enquanto os rendimentos dos títulos públicos recuaram, refletindo o alívio dos investidores diante da possibilidade por fim a uma guerra que vem comprometendo o abastecimento de energia.
“O conteúdo das propostas de paz entre Estados Unidos e Irã ainda é raso, mas o mercado está partindo do princípio de que não deve haver novas ações militares”, disse Takamasa Ikeda, gestor sênior de portfólio da GCI Asset Management.
Pressão militar continua e pontos-chave seguem de fora
Na terça-feira, Trump suspendeu uma missão naval lançada dias antes com o objetivo de tentar reabrir o estreito bloqueado, alegando avanço na diplomacia. A NBC News informou, com base em duas autoridades americanas não identificadas, que o presidente tomou essa decisão depois de a Arábia Saudita suspender a autorização para uso de uma base militar saudita na operação. Segundo a emissora, autoridades sauditas reagiram com surpresa e irritação ao anúncio de que os Estados Unidos ajudariam a escoltar navios por Ormuz e comunicaram a Washington que não permitiriam a decolagem de aeronaves militares americanas a partir da base no país, nem seu sobrevoo pelo espaço aéreo saudita.
Mesmo assim, os militares americanos mantiveram seu próprio bloqueio a embarcações iranianas na região. O Comando Central dos Estados Unidos informou que forças americanas dispararam na quarta-feira contra um petroleiro vazio de bandeira iraniana, inutilizando a embarcação quando ela tentava seguir para um porto no Irã.
Segundo uma fonte com acesso às negociações, a equipe americana é liderada por Steve Witkoff, enviado de Trump, e por Jared Kushner, genro do presidente. Caso haja consenso em torno do acordo preliminar, começará então a contagem de 30 dias para uma rodada mais detalhada de negociações em busca de um acerto definitivo.
Ainda assim, o texto provisório não menciona várias exigências que Washington vinha apresentando e que Teerã rejeitou, como limitações ao programa iraniano de mísseis e o fim do apoio do país à milícias aliadas no Oriente Médio, incluindo o Hezbollah. Também não há referência explícita ao estoque iraniano de mais de 400 quilos de urânio enriquecido em nível próximo ao de uso militar — um dos principais focos de preocupação dos Estados Unidos.
Fonte: Reuters
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