EUA vai ampliar importações de carne bovina em até 3% até 2026
fev, 20, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202608
Os Estados Unidos (EUA) devem ampliar em até 3% as importações de carne bovina em 2026, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A projeção reflete o cenário de oferta mais enxuta de animais prontos para abate no país.
De acordo com o relatório, as importações de proteína bovina cresceram 16% no ano passado, alcançando cerca de 2,45 milhões de toneladas. O movimento ocorre em meio ao menor nível de oferta de gado para abate em aproximadamente 75 anos, o que tem pressionado a necessidade de compras externas para suprir a demanda doméstica.
O recuo no rebanho já impacta as indústrias frigoríficas nos Estados Unidos, e JBS, Tyson Foods e Cargill anunciaram o fechamento de fábricas de processamento de carne no início deste ano.
Dados da consultoria Agrifatto indicam que a crise de oferta de gado no país deve persistir até 2027, mantendo a demanda norte-americana aquecida para as exportações brasileiras.
Levantamento do Ipea mostra que, até 5 de janeiro de 2026, os Estados Unidos já haviam importado cerca de 47 mil toneladas dentro do sistema de cotas, o equivalente a 73% do volume anual isento de tarifas. Em 2025, a cota de 65 mil toneladas foi totalmente preenchida ainda em 17 de janeiro, reforçando a expectativa de manutenção do ritmo forte de compras.
Segundo a Datamar, o Brasil registrou avanço de 33% nos embarques de carne bovina aos Estados Unidos no último ano. Antes da aplicação de tarifas adicionais, o mercado americano figurava como o segundo principal destino das exportações brasileiras do produto.
O gráfico a seguir utiliza dados da plataforma DataLiner para detalhar a performance mês-a-mês dos embarques de carne bovina do Brasil para os EUA desde janeiro de 2022:
Exportação de Carne Bovina aos EUA | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O departamento também informou que a disponibilidade de cotas tarifárias foi ampliada para alguns parceiros comerciais estratégicos, o que deve melhorar as condições de acesso para parte das importações. A Argentina tende a ser a principal beneficiária desse sistema ao longo do ano.
Em fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto para ampliar as importações de carne da Argentina. A expectativa do governo é que o aumento da oferta externa contribua para reduzir os preços da carne no mercado interno.
Para o analista Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, a perspectiva de maior demanda americana já influencia as cotações no mercado futuro do boi gordo, com valorização dos principais contratos diante da possibilidade de os EUA ampliarem as compras, com o Brasil entre os principais fornecedores capazes de atender esse aumento.
O analista acrescenta que a necessidade de importações de carne nos EUA tende a persistir, já que o rebanho bovino norte-americano vem encolhendo ano após ano. Além disso, o México enfrenta dificuldades para controlar focos de doenças no rebanho, o que também pode limitar a oferta regional.
Fonte: CNN Brasil
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