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Exportações verdes perdem participação na pauta brasileira, aponta estudo

out, 01, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202541

Embora o Brasil busque se firmar como liderança global da economia sustentável, a participação de produtos “verdes” na pauta exportadora brasileira caiu de 10,5% em 2016 para 9,3% em 2024. É o que mostra um levantamento realizado por economistas do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da UFMG, antecipado ao Valor.

Em valores absolutos, as exportações brasileiras desse segmento permanecem estagnadas em torno de US$ 21 bilhões desde 2021, após atingirem um pico de US$ 31,5 bilhões em 2017. Em outras palavras, o grupo manteve-se estável, enquanto as demais exportações brasileiras cresceram — entre 2017 e 2024, o Brasil registrou um avanço de quase 57% nos embarques.

“O fato de termos uma matriz limpa de energia elétrica não significa que vamos liderar a indústria verde. Temos vantagem porque já produzimos de forma limpa, mas diversos outros países têm necessidade de outro tipo de geração de energia ou de processos que vão reduzir suas emissões e, por isso, vão demandar entrada nesses setores verdes. Então, é uma possibilidade para o Brasil, mas não necessariamente associada à posição que temos hoje”, diz João Prates Romero, um dos autores do estudo.

O trabalho mostra que o país caminha a passos lentos para expandir sua atuação na área. Usando como base as diferentes classificações criadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pelo Fórum Econômico da Ásia e do Pacífico (Apec), pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Organização Mundial do Comércio (OMC) — que consideram 152 produtos verdes existentes —, o estudo aponta que o país é competitivo em 48 deles, um pequeno acréscimo em relação aos 43 registrados em 2016.

Na lista dos produtos que mais têm crescido na pauta de exportação verde brasileira estão os acumuladores elétricos de níquel-hidreto, ligados ao setor de eletromobilidade; instrumentos e aparelhos de medição (monitoramento ambiental e eficiência industrial); grupos eletrogêneos e transformadores de alta potência (infraestrutura elétrica); além de produtos de base material, painéis e ladrilhos e vagões ferroviários (setores industriais tradicionais).

Entre os setores, predominam as exportações verdes ligadas a máquinas e equipamentos (38%), transporte (32,7%), químicos (18,1%) e metais (5,2%).

Complexidade

O estudo mostra ainda que o índice de complexidade das exportações verdes brasileiras competitivas cresceu ligeiramente entre 2016 e 2024, passando de 0,351 para 0,537. Esse grupo também apresenta complexidade muito superior à média da pauta exportadora brasileira, que é de apenas 0,008.

Os autores defendem que o governo coloque os produtos verdes como centrais em suas ações para o setor, envolvendo esforços da Nova Indústria Brasil (NIB), do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Plano de Transformação Ecológica (PTE). O BNDES também poderia dedicar mais atenção e financiamento a esses produtos, especialmente em razão da alta participação de máquinas e equipamentos.

“Temos emissões pequenas, mas, se não fizermos o dever de casa, não vamos aproveitar a nova fase de mudança tecnológica em direção à produção mais limpa. Perder esse bonde da renovação das cadeias produtivas que pensam em termos de emissão — que tendem a ter maior potencial de crescimento — significa ficar preso a produtos com emissões altas”, explica Romero.

No caso brasileiro, ele lembra, o grosso da pauta exportadora também é responsável por boa parte das emissões de gases, como as emissões de metano associadas à agropecuária e ao petróleo.

Fonte: Valor Econômico

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