Expansão do Terminal Multicargas fortalece movimentações no Porto do Açu
dez, 11, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202550
As obras de ampliação do cais do Porto de Açu e da implementação de um segundo berço de atracação para o Terminal Multicargas (T-Mult) seguem avançando. O investimento já supera R$ 140 milhões e deve alcançar até R$ 300 milhões ao longo de três anos, resultado de um projeto que engloba a implementação de pátios de armazenagem, galpões, infraestrutura para estocagem e novos equipamentos.
Em 2025, a área de cais operacional do terminal passou de 340 metros para 500 metros, com calado de 13,1 metros e espaço para operar simultaneamente dois navios do tipo Panamax, cada um com capacidade para transportar até 75 mil toneladas.
O aumento da capacidade gera um impacto importante para o setor produtivo brasileiro, como explica João Braz, diretor de Logística e Terminais do Porto do Açu. “A ampliação do cais aumenta a capacidade operacional do T-Mult para atender a operações de coque e carvão, além de abrir espaço para mais cargas relacionadas ao agronegócio, incluindo grãos e fertilizantes”, explica.
O executivo lembra que também será possível captar a demanda para escoar minerais raros, essenciais para a transição energética, como concentrado de lítio e cobre utilizados na fabricação de baterias para veículos elétricos.
“A expansão possibilitará o incremento do nosso portfólio de produtos, o atendimento de volumes em larga escala e o desenvolvimento de novos projetos, como o terminal de grãos e uma unidade misturadora, previstos para os próximos anos”, informa Braz.
Infraestrutura moderna
Ações como essa deixam claro o quanto o Porto do Açu, com seus 11 terminais privados, 30 empresas instaladas e conexão dos principais centros urbanos do Brasil às cadeias globais de valor, é estratégico para empresas que buscam eficiência logística, inovação e sustentabilidade.
Com a expansão, a capacidade de movimentação do Terminal Multicargas deverá alcançar inicialmente 2,7 milhões de toneladas ao ano. Considerando o aumento da área de armazenagem, o Porto do Açu projeta duplicar esse volume nos próximos anos, chegando a cinco milhões de toneladas até 2028.
Segundo Vinicius Patel, diretor de Administração Portuária e Serviços do Porto do Açu, o empreendimento combina inovação, sustentabilidade e eficiência. “O Açu é o maior complexo portuário e industrial privado de águas profundas da América Latina. Sua infraestrutura moderna permite operações mais rápidas e seguras, reduzindo custos logísticos e tempo de atracação.”
A conexão terrestre eficiente e a proximidade de polos industriais e de produção de óleo e gás, como as Bacias de Campos e de Santos, garantem sinergias com diferentes cadeias produtivas. “O Porto do Açu foi planejado como um ecossistema industrial integrado, que abriga empresas de setores complementares, favorecendo parcerias tecnológicas e compartilhamento de infraestrutura. O complexo reúne operações de energia, mineração, petróleo e gás, além de projetos em desenvolvimento voltados à transição energética”, diz Patel.
“Temos o terceiro maior terminal de minério de ferro do Brasil, somos responsáveis por cerca de um terço das exportações brasileiras de petróleo, erguemos o maior parque térmico da América Latina e abrigamos a maior base de apoio offshore do mundo”, reforça.
Oferta integrada
Localizado estrategicamente em São João da Barra, no norte do Estado do Rio de Janeiro, o Porto do Açu oferece aos clientes um ecossistema completo de serviços que reúne infraestrutura marítima, licenciamento ambiental, soluções customizadas e atendimento de emergência. Todas as operações seguem padrões elevados de competitividade, segurança e sustentabilidade, reforçados por certificações como ISO 9001, 14001 e 45001.
O Centro de Operações e Resposta a Emergências (Core) proporciona estrutura certificada e é referência nacional em segurança e gestão de risco, enquanto as empresas que operam no porto também contam com o Centro VTS (Vessel Traffic Service), o primeiro sistema de gerenciamento de tráfego marítimo autorizado pela Marinha no país.
Customizadas para clientes dos setores de logística, comércio exterior, mineração, agronegócio, óleo & gás e energia, as soluções incluem acostagem, fundeio, gerenciamento de resíduos, consultoria ambiental, dragagem, inspeções técnicas, armazenamento temporário e um centro unificado de resposta a emergências. Essa amplitude diferencia o Açu como um porto preparado para qualquer demanda, reduzindo tempo e custo das operações logísticas.
Transição energética
O modelo de negócios do Açu tem atraído projetos para plantas de hidrogênio e amônia verde, fábricas de suporte à eólica offshore, biogás, fertilizantes e siderurgia, sempre alinhados à promoção de industrialização de baixo carbono. A parceria internacional com o Porto de Antuérpia-Bruges proporciona know-how global para essas ações. O Açu e o porto belga assinaram uma carta de intenções para desenvolver um “corredor marítimo verde” entre os dois pontos, com infraestrutura para abastecimento de combustíveis alternativos e previsão de entrada em operação até 2030.
O Porto do Açu pretende se tornar um ecossistema de descarbonização das companhias globais. O complexo aposta no hidrogênio verde como insumo fundamental para uso industrial no Brasil, capaz de viabilizar a produção de amônia verde, metanol verde, óleo vegetal hidrotratado (HVO), fertilizantes e ferro briquetado a quente (HBI), utilizado nos altos-fornos das siderúrgicas.
Além disso, o porto conta com gás disponível via GNL e desenvolve um projeto de conexão à rede nacional de gás, empregando esse combustível de transição como fonte confiável de energia para a industrialização.
O Açu completou 11 anos de operação em outubro passado e, desde então, já atraiu mais de R$ 60 bilhões em investimentos estrangeiros, movimentou quase 500 milhões de toneladas de cargas, recebeu mais de 36 mil navios e se consolidou como o segundo maior complexo portuário do país em movimentação.
Fonte: Valor Econômico
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