Exportações da piscicultura caem 39% no primeiro trimestre de 2026
abr, 23, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202617
As exportações brasileiras de produtos da piscicultura somaram US$ 11,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo informativo da Embrapa Pesca e Aquicultura e da Peixe BR. Em volume, os embarques recuaram 41%, para 2.308 toneladas, prolongando o movimento de enfraquecimento observado no fim de 2025.
Apesar da retração no acumulado do trimestre, o desempenho mensal mostrou recuperação ao longo do período. As exportações passaram de US$ 3,0 milhões em janeiro para US$ 3,1 milhões em fevereiro e atingiram US$ 5,1 milhões em março, quando o volume chegou a 1.006 toneladas. O informativo associa esse avanço à queda do “tarifaço” no fim de fevereiro.
Confira a seguir a performance das exportações de peixes congelados do setor pesqueiro do Brasil entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2026. Os dados estão disponíveis na plataforma DataLiner da Datamar:
Exportação de Peixes | Jan 2023 – Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Filés frescos ou refrigerados seguiram como a principal categoria exportada, com US$ 8,8 milhões e 78% da receita total, embora também tenham recuado 32% em valor na comparação anual. As maiores quedas ocorreram em filés congelados, com tombo de 76%, e em peixes inteiros congelados, com baixa de 61%. Por espécie, a tilápia manteve ampla liderança, com US$ 10,2 milhões e 91% do valor exportado, mas caiu 40% frente ao primeiro trimestre de 2025. O pacu apareceu em segundo lugar, com US$ 375,7 mil, enquanto os surubins registraram forte alta porcentual sobre uma base ainda reduzida.
Os Estados Unidos continuaram como principal destino da piscicultura brasileira, com US$ 8,76 milhões, o equivalente a 78% do total exportado no trimestre, mesmo após recuo de 46% em relação ao ano anterior. Canadá e México, por outro lado, ampliaram espaço na pauta. As vendas ao mercado canadense somaram US$ 534 mil, alta de 51%, enquanto os embarques para o México atingiram US$ 319 mil. Entre fevereiro e março, as exportações para o mercado mexicano avançaram 110%, segundo o levantamento.
Na tilápia, a dependência do mercado norte-americano permaneceu elevada. Os Estados Unidos absorveram 86% das exportações brasileiras da espécie, ou US$ 8,7 milhões, com predominância de filés frescos ou refrigerados. Ainda assim, o Brasil perdeu posições no ranking de fornecedores aos EUA: no acumulado de janeiro e fevereiro, caiu da terceira para a sétima colocação entre os exportadores de tilápia ao país, com recuo de 71% em volume. Considerando apenas filé fresco de tilápia, o país passou da segunda para a terceira posição, com queda de 57%.
No recorte por estado, o Paraná permaneceu como principal exportador brasileiro de tilápia, com US$ 3,9 milhões no trimestre, equivalentes a 38% do total. São Paulo respondeu por US$ 3,1 milhões, ou 31%, e Mato Grosso do Sul por US$ 3,0 milhões, com 30%. O destaque positivo ficou com Mato Grosso do Sul, que avançou 32% em valor na comparação anual, puxado sobretudo pelos filés frescos ou refrigerados. A Bahia também registrou alta, ainda sobre base menor, impulsionada pela tilápia inteira congelada.
Do lado das importações, o contraste foi expressivo. As compras brasileiras de espécies da piscicultura atingiram US$ 328,5 milhões no primeiro trimestre, avanço de 13%, lideradas pelo salmão, com 79% do total, e pelo pangasius, com US$ 52 milhões. A tilápia foi a terceira espécie mais importada, com US$ 14,6 milhões e 3.573 toneladas, valor superior a toda a receita obtida com as exportações brasileiras da piscicultura no período. Com exportações em queda e importações em alta, o déficit da balança comercial do setor passou de US$ 272 milhões para US$ 317 milhões no trimestre.
Os dados do informativo mostram um setor ainda fortemente concentrado na tilápia e no mercado dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o avanço das importações ampliou o saldo negativo da balança comercial da piscicultura brasileira no início de 2026.
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