Carnes

Exportações de carne bovina da Argentina para os EUA disparam após ampliação da cota com tarifa zero

jul, 01, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202627

As exportações de carne bovina da Argentina para os Estados Unidos cresceram de forma expressiva, impulsionadas pela ampliação da cota de importação isenta de tarifas concedida pelos EUA e pelo aumento da demanda em um momento em que o rebanho bovino norte-americano permanece em seu menor nível histórico.

O avanço ocorreu após a decisão do governo do presidente Donald Trump de ampliar a cota anual preferencial de carne bovina da Argentina de 20 mil toneladas para 100 mil toneladas.

Segundo relatório da Área de Inteligência Comercial da PromArgentina, com base em estatísticas oficiais, os frigoríficos argentinos exportaram cerca de 11 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos em maio.

O jornal argentino La Nación informou que esse volume equivale ao total embarcado durante os primeiros oito meses de 2025.

O valor das exportações também registrou forte crescimento. Em maio, os embarques para os Estados Unidos alcançaram US$ 86 milhões, alta de 369% em relação ao mesmo mês do ano anterior, mais de quatro vezes o valor registrado um ano antes. Com isso, a carne bovina tornou-se um dos principais produtos responsáveis pelo crescimento das exportações argentinas para o mercado norte-americano.

Outro levantamento, elaborado pelo Relatório Agropecuário Institucional, também apontou forte expansão das vendas aos Estados Unidos. Entre janeiro e maio, a Argentina exportou 4.841 toneladas de carne bovina fresca e 37.934 toneladas de carne bovina congelada para o mercado americano.

No mesmo período de 2025, os embarques haviam totalizado 2.734 toneladas de carne fresca e 14.326 toneladas de carne congelada. Somadas, as exportações passaram de 17.060 toneladas para 42.775 toneladas, um crescimento de 151% na comparação anual.

Os dados específicos de movimentação de contêineres atestam essa leitura dos fatos. Informações obtidas pela Datamar mostram um crescimento 136,7% nas exportações argentinas de carne bovina para os EUA, com 2.599 TEUs registrados entre janeiro e abril de 2026. Confira os volumes registrados mensalmente no gráfico abaixo:

Exportação de Carne Bovina para os EUA | Argentina | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

O ex-subsecretário de Mercados Agropecuários da Argentina e diretor da RIA Consultores, Javier Preciado Patiño, atribuiu o avanço principalmente à ampliação da cota de exportação.

“Foi Trump quem fez isso”, afirmou à UPI.

Segundo ele, a Argentina já exportou cerca de 41 mil toneladas dentro da nova cota de 100 mil toneladas com tarifa zero e, quando os dados forem atualizados, o volume deverá superar 50 mil toneladas.

Preciado Patiño afirmou ainda que o aumento da demanda dos Estados Unidos também reflete a redução do rebanho bovino do país.

“Trump disse que quer importar mais carne da Argentina para ajudar a conter os preços internos. Atualmente, os preços da carne bovina estão elevados em todo o mundo e a Argentina está recebendo valores bastante favoráveis pela produção de gado”, afirmou.

O ex-subsecretário de Pecuária e Produção Animal da Argentina, José María Romero, explicou à UPI que os Estados Unidos possuem atualmente o menor rebanho bovino dos últimos 75 anos, consequência de secas prolongadas que reduziram a produção doméstica a níveis historicamente baixos.

“Os Estados Unidos deverão importar mais de 2,5 milhões de toneladas de carne bovina neste ano. Nesse contexto, os países fornecedores ampliaram suas exportações para esse mercado”, afirmou.

Romero acrescentou que a ampliação da cota livre de tarifas criou uma nova oportunidade para os exportadores argentinos.

“Após o acordo, o setor encontrou uma oportunidade para fornecer carne magra, destinada principalmente ao processamento industrial, em volume equivalente a cerca de 4% das importações americanas de carne bovina, sem incidência de tarifas”, disse.

Apesar do crescimento das exportações, o consumo interno de carne bovina na Argentina continua em queda e permanece próximo do menor nível das últimas décadas.

Segundo o jornal Ámbito Financiero, com base em dados da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes da Argentina (Ciccra), o consumo per capita atingiu 47,5 quilos por habitante ao ano em maio, o menor nível registrado nos últimos 20 anos.

Romero afirmou que a redução é ainda mais significativa quando comparada a anos anteriores. O consumo era 21% maior em 2001, 50% superior em 2007, 28% maior em 2011, 23% acima em 2023 e também superava os níveis atuais durante a pandemia de Covid-19, em 2021.

“O consumo interno está no menor nível da nossa história”, afirmou.

Para Preciado Patiño, essa tendência reflete uma mudança estrutural nos hábitos de consumo e a perda do poder de compra da população.

“Estamos observando uma reconfiguração dos padrões de consumo. A carne bovina tornou-se mais cara para produzir e também para o consumidor. Como resultado, muitas famílias passaram a optar por proteínas de menor custo, como carne de frango e carne suína”, afirmou.

Fonte: UPI

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