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Ministério vê risco para abastecimento de insumos e alta de preços com guerra no Oriente Médio

mar, 11, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202611

O Ministério da Agricultura vê risco “elevadíssimo” de desabastecimento parcial de fertilizantes no Brasil com a continuidade da guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, local estratégico para o tráfego internacional de petróleo e gás natural, o que influencia diretamente nos preços e na disponibilidade de produtos como a ureia usada nas lavouras nacionais. A indicação é que, no cenário mais pessimista, pode haver escassez de oferta de fertilizantes fosfatados em até 20% da demanda nacional neste ano.

A imposição pela China de restrições à exportação desses insumos também ameaça o fornecimento aos produtores rurais brasileiros, o que pode se refletir em aumento de preços desses itens para a safra 2026/27, a partir de julho. Os alertas são para possíveis impactos na produtividade de algumas culturas, de mais de 20%, o que pode gerar pressão nos preços de alimentos.

As avaliações estão em notas técnicas reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (10/3), cujo teor foi confirmado à reportagem por fonte da Pasta. Não houve esclarecimento, no entanto, se os apontamentos serão usados para subsidiar alguma ação imediata do ministério ou não.

Em um trecho, citado pelo jornal, a área técnica do Ministério da Agricultura avalia que “os desdobramentos, atuais e potenciais, do presente cenário geopolítico expõem o Brasil a elevadíssimo risco de desabastecimento e de elevação de preços internos, por ocasião também dos impactos dos conflitos e medidas restritivas de mercado, na logística e preços de matérias-primas, já na safra 2026/2027”.

As notas técnicas foram endereçadas ao secretário-executivo da Pasta, Irajá Lacerda. Procurado, o ministério não respondeu até a publicação deste texto.

A Pasta indicou risco imediato de encarecimento dos custos de produção, atraso nas entregas de alguns fertilizantes e piora da relação de compra para o segundo semestre. A depender da duração da guerra e da trava logística, o risco poderá migrar de impactos nos preços para indisponibilidade de produtos, o que poderia impactar a produção de commodities, como soja, milho, café e cana-de-açúcar.

No cenário mais negativo, com o prolongamento da guerra, a área técnica do ministério aponta para a necessidade de o governo federal ativar “mecanismos emergenciais de financiamento agrícola para as culturas mais afetadas”.

Em outra frente, os técnicos da Pasta analisaram impactos da restrição imposta pela China para exportação de fertilizantes fosfatados até meados de 2026, para resguardar o próprio abastecimento interno. Na análise do ministério, há risco real de déficit de volume estimado entre 1 milhão e 3 milhões de toneladas desses insumos neste ano, o que poderia “comprometer a produtividade” da safra 2026/27.

O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome e ainda depende de poucos fornecedores globais. Com a guerra e as restrições, a dependência é traduzida em riscos para os produtores, pois esses insumos representam mais de 30% do custo de produção agrícola.

O gráfico a seguir compara os volumes mensais de importação de fertilizantes no Brasil desde janeiro de 2023. Os dados são do DataLiner da Datamar:

Importação de Fertilizantes | Jan 2023 – Jan 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Segundo dados recentes, as exportações chinesas de fosfatados caíram para o menor nível desde 2013 e a participação da China nas importações brasileiras já apresenta queda relevante, sem reposição imediata por outros países.

Fonte: Globo Rural

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