Grãos

Exportações de grãos da Argentina geram US$ 2,92 bilhões em julho, queda de 3% ante junho

ago, 03, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202632

As exportações de grãos da Argentina trouxe ao país US$ 2,92 bilhões em julho, queda de 3% em relação a junho, à medida que a entrada de divisas continuou voltando a um ritmo mais próximo do normal após os volumes excepcionais registrados no ano passado, sob efeito de incentivos temporários ligados aos impostos de exportação.

Segundo a Câmara da Indústria de Óleos da Argentina e o Centro de Exportadores de Cereais, entidades conhecidas pela sigla CIARA-CEC, as empresas do complexo exportador de grãos e oleaginosas liquidaram US$ 16,30 bilhões entre janeiro e julho de 2026. O valor representa uma queda de 16% em comparação com o mesmo período de 2025.

O recuo anual se explica, em grande parte, por uma base de comparação elevada. Em 2025, uma redução temporária dos direitos de exportação acelerou as vendas dos produtores, os registros de embarques e a entrada de dólares. Neste ano, sem incentivos de curto prazo, a comercialização voltou a seguir um ritmo mais regular.

A CIARA-CEC afirmou que julho de 2025 foi marcado pelo fim do Decreto 38/2025, que reduziu temporariamente os direitos de exportação e provocou um fluxo acima da média de vendas e registros. Segundo a entidade, 2026 apresenta um comportamento mais próximo do de uma safra normal, sem regimes temporários que alterem o ritmo de comercialização dos grãos.

O presidente da CIARA-CEC, Gustavo Idígoras, disse que a entrada de divisas em julho ficou próxima da registrada em junho porque as exportações vêm acompanhando o padrão habitual do ciclo agrícola, sem movimentos bruscos.

Segundo ele, o atual volume de produção de grãos e oleaginosas indica um fluxo estável de exportações ao longo do ano, o que dá maior previsibilidade aos produtores na ausência de regimes especiais de curto prazo.

Base elevada de 2025 pesa na comparação

Javier Preciado Patiño, diretor da consultoria RIA, afirmou que a queda de 16% na entrada acumulada de divisas deve ser analisada à luz do resultado excepcional registrado no ano passado.

Ele lembrou que 2025 teve picos de liquidação em junho, julho e setembro, impulsionados por medidas oficiais que aceleraram as vendas de grãos. Um movimento semelhante ocorreu em setembro de 2022, quando a Argentina adotou um câmbio especial para a soja, o que também estimulou as vendas e a entrada de dólares.

Fora dessa base de comparação, segundo Preciado Patiño, o mercado atual vem se comportando de acordo com o ciclo normal de comercialização. A entrada de divisas costuma aumentar durante a colheita, entre maio e julho, e depois recua gradualmente nos meses seguintes.

Ele acrescentou que ainda há um volume expressivo de milho a ser registrado e exportado, embora a soja continue sendo a principal fonte de divisas do setor argentino de grãos.

O ritmo das vendas também dependerá do ambiente macroeconômico e dos preços internacionais. Caso os produtores não esperem uma desvalorização acentuada do peso, a tendência é que retenham menos grãos à espera de um câmbio mais favorável. Preços internacionais mais altos também podem estimular as vendas, embora os produtores muitas vezes prefiram aguardar quando o mercado começa a subir.

No caso da soja, a comercialização segue dentro dos padrões esperados para esta época do ano. Somando as vendas feitas antes do início formal da temporada comercial e os negócios fechados entre abril e julho, cerca de 22 milhões de toneladas já foram negociadas, volume próximo da metade do que normalmente é comercializado em uma safra de 50 milhões de toneladas.

Atrasos na colheita do milho surpreendem o mercado

Lorena D’Angelo, analista de mercado do AZ Group, afirmou que o resultado de julho, abaixo de US$ 3 bilhões, surpreendeu o mercado, que esperava um valor maior.

Segundo ela, a diferença se deve principalmente aos atrasos na colheita do milho. Julho e agosto costumam ser meses em que as vendas do cereal de plantio tardio têm participação mais relevante na entrada de divisas.

D’Angelo observou ainda que o desempenho de julho ficou mais fraco na comparação com o mesmo mês de 2025, quando os exportadores liquidaram cerca de US$ 4,1 bilhões. A mesma tendência aparece no acumulado do ano e está ligada, em grande parte, aos atrasos provocados pelo excesso de umidade nas principais regiões produtoras.

Ainda assim, ela avaliou que as perspectivas para o restante do ano continuam positivas. O elevado nível de produção e os preços internacionais ainda competitivos sustentam expectativas favoráveis para os próximos meses.

Agosto será importante para definir se o setor conseguirá superar os US$ 31,4 bilhões em divisas geradas pelas exportações ao longo de 2025. D’Angelo projeta uma entrada de cerca de US$ 3,1 bilhões no mês, seguida por valores mensais menores, com exceção de dezembro, quando a safra de inverno começa a chegar ao mercado.

Embarques atingem volume recorde

Apesar da menor liquidação de divisas, a atividade exportadora de grãos da Argentina continua forte.

Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, as exportações dos principais grãos e subprodutos industriais do país atingiram o recorde de 69 milhões de toneladas entre janeiro e julho. O volume representa alta de 11,3% em relação ao mesmo período do ano passado e supera a marca anterior, de 65 milhões de toneladas, registrada em 2022.

O maior impulso veio do trigo, com 11,7 milhões de toneladas exportadas, volume 70% superior à média dos últimos anos. Os embarques de girassol chegaram a 5 milhões de toneladas, mais que o dobro do nível habitual.

Confira a seguir uma comparação dos volumes exportados de trigo no acumulado de janeiro a maio nos últimos anos. Os dados são da plataforma DataLiner da Datamar:

Exportação de Trigo –  Argentina | jan-mai | 2022-2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

De acordo com a Bolsa de Rosário, o recorde foi sustentado por uma colheita excepcional. Enquanto as exportações cresceram 6,1% em relação à marca anterior, alcançada em 2022, a produção avançou 26%, deixando um excedente confortável para exportação nos próximos meses.

No caso do milho, o avanço dos embarques ainda está ligeiramente abaixo da média dos últimos cinco anos, e os compromissos assumidos no mercado interno também permanecem abaixo dos níveis históricos. Isso indica que ainda há um volume expressivo disponível para novas exportações nos próximos meses.

A atividade comercial também ganhou ritmo nas últimas semanas, sobretudo com a aceleração das fixações de preços. Na soja, o volume fixado aumentou 7,8% em uma semana, para 1,14 milhão de toneladas. No milho, a alta foi de 5,2%, para 1,39 milhão de toneladas. O trigo da nova safra também reagiu após várias semanas de pouca movimentação, com aumento de 30% nas fixações e de quase 20% no volume negociado.

Para exportadores, operadores portuários e empresas de logística, os dados mostram um cenário dividido: a entrada de dólares das exportações argentinas de grãos está abaixo do ritmo excepcional do ano passado, mas os embarques físicos seguem em níveis recordes. A combinação indica que o fluxo de cargas pelos portos graneleiros deve continuar elevado, especialmente à medida que a disponibilidade de milho e a entrada da safra de inverno sustentem a atividade exportadora nos próximos meses.

Fonte: La Nación

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