Exportações de máquinas para os EUA tendem a cair a zero a partir de setembro, com perda de US$ 300 milhões/mês
ago, 28, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202536
O impacto do tarifaço de 50% sobre máquinas e equipamentos, anunciado pelo governo Trump, deve se refletir principalmente a partir de setembro nas exportações. “Tenderão a zero” para aquele mercado devido à grande perda de competitividade causada pela sobretaxa, disse a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cristina Zanella.
– Os Estados Unidos representam 26,26% das nossas exportações, sendo um mercado bastante relevante. A piora das vendas para esse mercado a partir do próximo período deve resultar em uma queda mensal de cerca de US$ 300 milhões nas exportações, afetando nossas receitas. Em agosto, pode haver alta em relação a julho, devido à antecipação de pedidos pelos fabricantes. A partir de setembro, a queda de US$ 300 milhões por mês deve se repetir até o final do ano.
A associação mantém a expectativa de crescimento de 5% para este ano. Para as exportações, a previsão é de queda de 15%, principalmente por conta da perda do mercado para os Estados Unidos. Somente para os EUA, a projeção é de queda da ordem de 30% nos últimos meses.
Segundo a diretora, mesmo com a medida tomada pelo Departamento de Comércio dos EUA, que enquadrou exportações que contêm aço e alumínio na Seção 232 do Ato de Expansão Comercial, o Brasil continua com baixa competitividade em relação a todos os países.
– Quando pegamos a proporção da máquina — aquela que não é especificamente relacionada ao aço ou alumínio —, a sobretaxa é 50%. Isso diminui a diferença em relação a outros países por conta da proporção de aço e alumínio. Mas, de qualquer forma, continuaremos menos competitivos, exceto com a Índia, que tem a mesma tarifa recíproca que o Brasil. Quando comparamos com Canadá e México, a situação piora ainda mais, porque lá a tarifa é zero. A transação do México para os Estados Unidos é zero, assim como a do Canadá. Eles também são fabricantes importantes, principalmente o México, de peças, componentes e máquinas direcionadas para o mercado americano.
Entre janeiro e julho, houve queda de 10,6% nas vendas para os EUA, principalmente devido à retração na demanda por máquinas para construção civil (-21%), produtos que passaram a representar 44% do total das exportações em 2025, ante 51,2% em 2024.
Sobre as medidas do governo de apoio ao setor produtivo, Cristina considera que o setor vê com bons olhos. No caso do Reintegra, consideram positivo, mas o setor espera que seja mais abrangente do que foi anunciado pelo governo, já que inicialmente a tarifa se aplicaria apenas às empresas que exportam para os Estados Unidos.
– Seria pouco relevante se as empresas deixarem de exportar para os Estados Unidos por causa da perda de competitividade que mencionei. O que esperamos é que o governo expanda o Reintegra para todos os exportadores, independentemente do mercado em que atuam. Assim, conseguimos dar competitividade para que as empresas possam expandir sua atuação globalmente. Sabemos que existe a restrição do orçamento, mas, de qualquer forma, seria uma medida emergencial que poderia fornecer um fôlego extra neste momento de crise.
Segundo ela, ainda não houve impacto nos empregos e houve aumento de 1% no número de empregos em julho em relação a junho.
– Na indústria de máquinas, esse tipo de preocupação ainda não se tornou abrangente. Outra questão é que, como a mão de obra é altamente qualificada, as empresas investem na sua formação e estão relutantes em demitir. Portanto, até julho, pelo menos, essas medidas não resultaram em cortes significativos, e provavelmente até agosto os números ainda não refletirão impacto, já que foi um período de corrida para entregas. Se houver efeito, será mais perceptível a partir de setembro e outubro.
Fonte: O Globo
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