Exportações de países da América Latina para China crescem 25%
jun, 18, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
A China foi o mercado que mais cresceu para as exportações latino-americanas no primeiro trimestre de 2026, embora os Estados Unidos sigam como o maior comprador da região. Essas são as conclusões de um relatório publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
As vendas latino-americanas à China subiram 25% em comparação com o mesmo período de 2025. Para o restante da Ásia, houve avanço de 24%; para a União Europeia, 19%; e para os Estados Unidos, 14%.
Segundo os dados disponíveis no DataLiner, os dois produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA foram carne bovina e madeira compensada. Confira o top dez a seguir, segundo os dados de contêineres da Datamar:
Produtos Mais Exportados aos EUA | Jan-Abr | 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
As exportações da região cresceram quase 16% no trimestre, mais que o dobro da alta de 6,4% registrada em 2025.
A liderança americana, contudo, se apoiou no comércio com o México e a América Central, enquanto a China concentra suas compras na América do Sul, especialmente no Brasil.
Embora o relatório não detalhe as causas, a dinâmica está relacionada ao acordo de livre comércio USMCA, que garante acesso mexicano ao mercado americano com isenção de tarifas. O acordo serve como incentivo para milhares de empresas dos Estados Unidos se realocarem no México em busca de subsídios e custos trabalhistas mais baixos.
A alta das vendas à China no trimestre prolonga um movimento iniciado no fim de 2025. As importações chinesas vindas da região ficaram estáveis na média do ano passado, com queda no primeiro semestre e alta no segundo.
Na América do Sul, a China respondeu por 40% de todo o aumento das exportações em 2025, segundo o BID. Em meio às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, o Brasil viu suas vendas para o exterior crescerem 1,8% na comparação anual, impulsionadas pela China e pelos vizinhos sul-americanos.
Por que importa
O avanço chinês reforça o papel da América do Sul como fornecedora de matérias-primas para a China. Ao mesmo tempo, Washington pressiona a região a reduzir os laços com Pequim em áreas como portos, minerais e tecnologia.
O crescimento observado no trimestre, porém, foi impulsionado pelos preços de algumas commodities, como ouro e cobre, e não por uma base exportadora mais diversificada. Uma reversão desses preços, projetada pelo BID, deixaria a região mais exposta em meio ao avanço da disputa entre Estados Unidos e China no continente.
Fonte: Folha de S. Paulo
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