Exportações de petróleo saltam 70% enquanto superávit comercial do Brasil se amplia
abr, 08, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202617
O Brasil registrou superávit comercial em março, com as exportações crescendo 10%, embora as importações tenham avançado ao dobro desse ritmo. O aumento da receita de exportações foi impulsionado pelo petróleo, que respondeu por 68,5% da alta das vendas externas em relação ao mesmo mês de 2025.
Os volumes exportados da commodity aumentaram, o que, segundo analistas, reflete parcialmente o impacto da guerra no Oriente Médio, já que embarques previamente contratados foram antecipados.
Entre os principais destinos do Brasil, as exportações cresceram para China e União Europeia. Já para Argentina e Estados Unidos, dois mercados tradicionais para produtos manufaturados brasileiros, houve queda. No caso dos EUA, a retração também está ligada aos efeitos da política tarifária do presidente Donald Trump.
O Brasil encerrou março de 2026 com superávit comercial de US$ 6,4 bilhões, com exportações de US$ 31,6 bilhões e importações de US$ 25,2 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No primeiro trimestre, o superávit alcançou US$ 14,2 bilhões, com exportações de US$ 82,3 bilhões e importações de US$ 68,2 bilhões, altas de 7,1% e 1,3%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025.
As exportações totais do Brasil no mês foram US$ 2,88 bilhões superiores às de março de 2025, um aumento de 10%. Já os embarques de petróleo cresceram em ritmo muito mais acelerado, com alta de 70,4%, impulsionada principalmente por um aumento de 75,9% no volume.
Os preços médios de exportação caíram 3,1%, embora os preços internacionais do petróleo tenham subido durante o mês após o início da guerra no Oriente Médio. A receita com exportações de petróleo somou US$ 4,77 bilhões em março, ante US$ 2,8 bilhões no mesmo mês de 2025, um aumento de US$ 1,97 bilhão.
Com esse desempenho, a participação do petróleo na receita de exportações do Brasil subiu para 15,1%, ante 9,7% um ano antes. Ainda assim, a soja permaneceu como o principal produto exportado pelo país no mês, com US$ 5,92 bilhões, alta de 4,3% frente a março de 2025, respondendo por 18,7% da receita total.
“O conflito no Oriente Médio deixou uma marca direta nos números de março, e isso aparece no lado das exportações”, afirmou Ariane Benedito, economista-chefe do banco digital PicPay. “O Brasil aproveitou uma janela de maior demanda de países importadores de petróleo, que buscavam diversificar fornecedores diante da instabilidade no Estreito de Ormuz, mas os contratos já assinados ainda não refletiam totalmente o prêmio de risco geopolítico.”
O efeito líquido do petróleo na balança comercial do mês foi positivo em US$ 1,85 bilhão, destacou Benedito. Sem esse impacto, o superávit de março teria sido de apenas US$ 4,55 bilhões. “Isso mostra o quanto o resultado de março foi não recorrente e dependente de um fator externo específico: o redirecionamento de cargas de petróleo em uma janela de curto prazo moldada pela geopolítica.”
Demanda chinesa
Dados do governo mostram que a China respondeu por US$ 1,6 bilhão dos US$ 1,9 bilhão de aumento nas exportações brasileiras de petróleo bruto em março. Os embarques para o país somaram US$ 3,1 bilhões no mês, ou 64,6% de todas as exportações brasileiras de petróleo, um salto de 111,2%. Os Estados Unidos foram o segundo maior mercado, com participação de 6,8%.
Considerando os destinos de exportação de forma mais ampla, André Valério, economista-chefe do Inter, destacou o aumento do valor das exportações para China e União Europeia, com altas de 17,8% e 7,3%, respectivamente.
As exportações para os Estados Unidos e Argentina, no entanto, caíram 9,1% e 5,9%, respectivamente, em relação a março de 2025. Mesmo antes da guerra, segundo ele, já se esperava que o fluxo comercial com os EUA não se recuperaria imediatamente, mesmo após a reversão das chamadas tarifas elevadas, que chegaram a impor taxas de até 50% sobre produtos brasileiros.
“Quando uma rede comercial é interrompida, ela não se recompõe facilmente. Esse enfraquecimento já era esperado”, afirmou.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, disse que os dados mostram como o país tem se tornado cada vez mais dependente do mercado chinês, que já absorve a maior parte das exportações brasileiras de soja e minério de ferro.
Na avaliação dele, apesar das incertezas em torno da guerra no Oriente Médio, as exportações de petróleo do Brasil devem se concentrar ainda mais na China, dado o volume que o país asiático consegue absorver.
Lucas Barbosa, economista da gestora AZ Quest, destacou que o Brasil já vinha registrando forte crescimento na produção de petróleo ao longo do último ano. “Existe um cenário em que a balança comercial de petróleo e derivados pode superar US$ 50 bilhões neste ano. E o petróleo acima de US$ 100 por barril deve sustentar a balança comercial e a atividade econômica no curto prazo. Infelizmente, do lado da inflação, como importamos parte dos combustíveis, não estamos totalmente protegidos desse choque.”
Importações também aceleram
As exportações, segundo Valério, devem ser impulsionadas em 2026 pelo petróleo como consequência da guerra, e esse efeito deve ser maior para a balança comercial do que o impacto do aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes sobre as importações.
“Vemos um viés de alta para o superávit comercial no fim do ano em relação à nossa projeção pré-guerra”, afirmou. A estimativa do Inter para o superávit de 2026, antes próxima de US$ 73 bilhões ou US$ 74 bilhões, agora tende para algo mais próximo de US$ 80 bilhões.
Do lado das importações, Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior da Secex, disse que o volume de importações de diesel caiu 20% em março, mas alertou que ainda é cedo para relacionar diretamente esse movimento ao conflito no Oriente Médio.
“Estamos analisando registros documentais. Essas operações levam tempo para serem desembaraçadas, e combustíveis têm essa característica. Podemos estar olhando para cargas liberadas em março, mas que chegaram em meses anteriores.”
As importações de óleos combustíveis de petróleo, categoria que inclui o diesel, somaram US$ 1,38 bilhão em março, alta de 20,5% em valor. Os preços subiram 21,3%, enquanto o volume caiu 0,6% em relação ao mesmo mês de 2025.
Os dados também mostram que as importações de fertilizantes totalizaram US$ 1,31 bilhão, um aumento de 61% na comparação anual. O volume importado subiu 31,1% e os preços médios avançaram 22,8%.
Barbosa destacou ainda a alta generalizada das importações em março, tanto em valor quanto em volume, com avanços de 20,1% e 18,9%, respectivamente. Segundo ele, o número difere do observado até fevereiro, quando as compras externas ainda indicavam estabilidade, sugerindo desaceleração da atividade econômica.
Um dado que chamou atenção foi o das importações de automóveis de passageiros, que atingiram US$ 1,13 bilhão em março, alta de 204% frente ao mesmo mês de 2025.
Apesar disso, Barbosa ressaltou que o aumento do volume importado ocorreu em diversos itens, o que “acende um sinal de alerta”.
“Precisamos de mais dados para saber se isso representa uma reaceleração da atividade ou um dado pontual. É necessário analisar outros indicadores de atividade”, concluiu.
Fonte: Valor Internacional
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