Exportações disparam e colocam o cobre brasileiro em evidência
jun, 08, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202624
O Brasil registrou um forte aumento nas exportações de cobre em maio, reforçando o potencial do país para se tornar um participante mais relevante no mercado global do metal.
As exportações de minérios e concentrados de cobre cresceram quase 150% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando US$ 1,03 bilhão, segundo dados do governo federal.
Embora o Brasil não seja considerado uma potência global na produção de cobre, como Chile e Peru, o metal vem ganhando espaço na agenda mineral do maior país da América Latina.
Em contraste, as exportações de minério de ferro, segmento em que o Brasil é uma potência mundial, somaram US$ 1,97 bilhão em maio, representando uma queda de 15,2% na comparação anual.
No mês passado, o cobre respondeu por 3,23% de todas as exportações brasileiras, mais que o dobro da participação de 1,38% registrada um ano antes. Já o minério de ferro representou 6,17% das exportações do país, abaixo dos 7,76% observados em maio de 2025.
Soja e petróleo permaneceram como os dois principais produtos exportados pelo Brasil em valor.
Investimentos
Embora o Brasil não seja visto como um dos principais produtores mundiais de cobre, projetos no segmento vêm atraindo o interesse de empresas internacionais, além da gigante brasileira Vale.
Fatores como a forte demanda global e um ambiente regulatório mineral já consolidado e conhecido pelos investidores tendem a favorecer o avanço dos projetos de cobre no país.
“A transição energética, a eletrificação dos transportes e das redes elétricas, a rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial e, cada vez mais, os setores de defesa e segurança nacional, são forças estruturais que estão remodelando a economia global, e o cobre é indispensável para todas elas. Não são tendências que serão revertidas por mudanças de humor de curto prazo. São transformações de décadas, apoiadas por políticas públicas e intensivas em capital, que exigem enormes quantidades de cobre, e o mundo ainda está apenas nos estágios iniciais dessa expansão”, afirmou Makko DeFilippo, CEO da mineradora canadense Ero Copper, que atua no Brasil, em entrevista recente à BNamericas.
“O Brasil possui um histórico sólido e acreditamos que seu compromisso contínuo com a estabilidade regulatória, fiscal e jurídica será essencial não apenas para a Ero, mas também para atrair os fluxos de capital necessários ao desenvolvimento da próxima geração de minerais críticos que o mundo tanto necessita”, acrescentou.
A Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, colocou o cobre no centro de sua estratégia de expansão.
A companhia anunciou no início deste ano planos para investir US$ 3,5 bilhões em seus ativos de cobre, reforçando sua aposta no segmento. Os investimentos serão realizados entre 2026 e 2030 e terão foco nos ativos da empresa na região de Carajás, no Pará.
Os planos da Vale fazem parte de uma tendência mais ampla.
Os investimentos em projetos de cobre no Brasil devem atingir cerca de US$ 8,6 bilhões entre 2026 e 2030, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa as principais mineradoras do país. O montante representa um aumento de 18% em relação ao ciclo anterior, entre 2025 e 2029.
Além disso, o Brasil poderá contar em breve com uma nova empresa atuando no segmento de cobre, em meio ao crescente interesse por projetos do setor.
Em abril, a Largo Resources, empresa listada no Canadá e única produtora de vanádio do Brasil, solicitou autorização à Agência Nacional de Mineração (ANM) para produzir e comercializar cobre.
O pedido da companhia, que também abrange a produção e comercialização de metais do grupo da platina (PGMs), níquel e cobalto, refere-se a subprodutos a serem produzidos dentro das atividades já existentes na mina Maracás Menchen, na Bahia, utilizando a infraestrutura atual de processamento de minério.
Também em abril, o grupo turco CoreX Holding estreou oficialmente no setor de mineração brasileiro após concluir a compra de ativos de cobre e ouro da australiana BHP.
No ano passado, a empresa fechou acordo para adquirir os ativos da BHP no Brasil por US$ 465 milhões, envolvendo operações de cobre e ouro, incluindo a mina Pedra Branca, no Pará. Com a conclusão da transação, a nova empresa responsável pelos ativos passou a se chamar CoreX Copper Brasil.
Projetos
Diversos projetos de cobre em diferentes estágios de desenvolvimento devem avançar no Brasil nos próximos anos, principalmente no estado do Pará. A BNamericas reuniu os principais empreendimentos cadastrados em sua base de dados.
O maior deles em termos de investimento previsto é o projeto Alemão, da Vale, com aporte estimado em US$ 1,8 bilhão. Atualmente em fase de viabilidade, engenharia básica e avaliação socioambiental, o projeto prevê produção anual de 80 mil toneladas de cobre e 140 mil onças de ouro, além da implantação de uma linha de transmissão de 230 kV.
Também no Pará, a Ero Copper, em parceria com a Vale, desenvolve o projeto Furnas, com investimento estimado em US$ 1,28 bilhão. O ativo está em fase avançada de exploração, com estudos de viabilidade e avaliação socioambiental em andamento.
O projeto Cristalino, localizado no Pará e controlado pela Vale Base Metals, prevê investimentos de US$ 500 milhões. Atualmente em fase de projeto, viabilidade e engenharia básica, o empreendimento deverá ter capacidade de produção de 80 mil toneladas de cobre por ano.
A Vale Base Metals, por meio da subsidiária Salobo Metais, também conduz o Projeto 118, no Pará, com investimento estimado em US$ 350 milhões. O ativo está em fase avançada de exploração e deverá produzir 60 mil toneladas de cobre por ano.
O projeto de cobre Bacaba, localizado em Canaã dos Carajás (PA), está sendo desenvolvido como uma expansão brownfield da mina Sossego, da Vale, utilizando a infraestrutura ferroviária e portuária já existente. Com investimento estimado em US$ 290 milhões, o projeto está em construção e consiste em uma mina a céu aberto com capacidade de produção de 50 mil toneladas de cobre por ano e vida útil prevista de oito anos.
Outro destaque é o projeto Salobo CPF (Coarse Particle Flotation), da Vale, que prevê investimento de US$ 275 milhões. Em fase de viabilidade e engenharia básica, o projeto busca aumentar a eficiência operacional do complexo Salobo.
Em Mato Grosso, a Meridian Mining avança com o projeto Cabaçal, que prevê investimentos de US$ 248 milhões. Atualmente em fase de exploração avançada, viabilidade e avaliação ambiental, o projeto deverá produzir aproximadamente 16 mil toneladas de cobre por ano, além de 70.271 onças de ouro e 125.331 onças de prata anualmente.
Fonte: BNamericas
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