Exportações do Brasil aos EUA caem há nove meses consecutivos
maio, 26, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202622
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram em abril o nono mês consecutivo de queda. O recuo foi de US$ 3,1 bilhões, queda de 11,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar do resultado negativo, o ritmo de retração diminuiu, indicando uma acomodação no comércio bilateral enquanto persistem incertezas sobre negociações entre os governos e possíveis novas tarifas.
De janeiro a abril, houve redução tanto nas exportações de produtos sobretaxados quanto nos isentos de tarifas extras. Os bens sem sobretaxa caíram 16,4%, enquanto os sobretaxados recuaram 17%, segundo levantamento da Amcham. Entre os produtos atingidos pela Seção 232, cobre, caminhões e madeira apresentaram queda. Já os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% registraram retração de 23,7%.
Confira a seguir os dez principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA em termos de volume ao longo do 1º trimestre de 2026, segundo os dados da Datamar:
Principais Exportações aos EUA | 1 º tri 2026 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6%, com retração em todos os setores: indústria de transformação (-4,2%), indústria extrativa (-19,2%) e agropecuária (-3,8%). Segundo a Amcham, a queda contrariou o desempenho das vendas brasileiras para outros mercados.
A indústria brasileira foi uma das mais afetadas e registrou sua primeira retração desde 2020. Ainda assim, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações industriais brasileiras, com US$ 30,2 bilhões, equivalentes a 16% do total exportado pelo setor.
As importações brasileiras de produtos americanos também caíram no primeiro quadrimestre de 2026, com recuo de 13%. Em 2025, porém, cresceram 11,3%, atingindo US$ 45,2 bilhões, o segundo maior valor da série histórica. Os EUA seguiram como a segunda principal origem das importações brasileiras, respondendo por 16,1% do total.
A indústria de transformação concentrou 91,1% das importações vindas dos EUA em 2025, com alta de 15% em relação ao ano anterior. Já os setores extrativo e agropecuário registraram quedas de 15,4% e 35,2%, respectivamente.
Segundo Lia Valls, pesquisadora do FGV Ibre, a queda nas exportações aos EUA foi parcialmente compensada pelo aumento das vendas para a China no segundo semestre de 2025. Enquanto o volume exportado para os EUA caiu 21,3% entre agosto e dezembro, as exportações para a China cresceram 29,8%.
A balança comercial entre Brasil e Estados Unidos passou de déficit de US$ 300 milhões em 2024 para US$ 7,5 bilhões em 2025. Segundo Valls, o principal fator foi a queda das exportações brasileiras para o mercado americano.
Ela destaca que, diante das incertezas no comércio com os EUA, muitas empresas passaram a direcionar suas vendas para outros mercados, especialmente no segmento de commodities.
Enquanto o comércio de bens perdeu força, o setor de serviços apresentou crescimento em 2025. As importações brasileiras de serviços dos EUA somaram US$ 25,7 bilhões, enquanto as exportações atingiram US$ 14,3 bilhões, com altas de 17% e 11,7%, respectivamente.
Apesar das tensões comerciais, Sergio Vale, da MB Associados, avalia que a economia brasileira foi relativamente pouco afetada, especialmente quando comparada a crises anteriores. Entre os fatores positivos, ele cita a reforma tributária, o projeto dos minerais críticos e o avanço das exportações de petróleo bruto.
A principal preocupação agora está relacionada às investigações conduzidas pelos EUA com base na Seção 301, consideradas mais complexas e de efeitos mais duradouros.
Para especialistas, a situação reforça a necessidade de ampliar parcerias comerciais. O acordo Mercosul-União Europeia e o fortalecimento das relações com a China aparecem como caminhos naturais para reduzir a dependência do mercado americano.
José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que a balança comercial com os EUA pode começar a se equilibrar nos próximos meses, mas ressalta que o mercado americano continua estratégico para o Brasil.
Fonte: Valor Econômico
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