Regras de Comércio

Governo faz ofensiva por novos mercados para produtos brasileiros

ago, 25, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202536

Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros do governo deram início, nas últimas semanas, a uma ofensiva para ampliar os mercados exportadores do Brasil e diminuir o impacto provocado pelo tarifaço americano. O Valor apurou que, até agora, as negociações para realocar produtos brasileiros envolveram países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Canadá, México e Emirados Árabes Unidos.

A expectativa do governo é colher resultados já nos próximos meses, mas interlocutores da gestão petista admitem que essas conversas seguem um ritmo próprio e podem demorar algum tempo para gerar frutos.

As buscas por novos mercados no exterior têm contado com a participação não apenas da área econômica, mas também do Itamaraty, Casa Civil, Planejamento, Agricultura e, por fim, a pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), uma das mais atuantes na discussão da taxa americana. À frente do Mdic, o vice-presidente Geraldo Alckmin é quem vai liderar, por exemplo, uma comitiva com empresários brasileiros no México, viagem que está prevista para acontecer nesta semana.

Somente nos três primeiros dias de inscrição 90 empresas nacionais procuraram a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para manifestar intenção de participar dessa missão internacional, o que demonstra a preocupação dos empresários brasileiros em buscar refúgio em mercados alternativos. Na semana passada, esse número saltou para 113. Isso não quer dizer, entretanto, que todas elas estarão na comitiva governamental. A tendência é que a agência faça uma seleção dos setores.

As negociações para essa viagem começaram após conversas entre Lula e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, com quem o governo brasileiro mantém certa proximidade. Apesar do otimismo do governo petista com a missão em si, o Brasil exportou para o México, em 2024, apenas US$ 7,8 bilhões, um valor que representa 20% do total exportado no mesmo período para os Estados Unidos, já que as vendas aos americanos ultrapassaram os US$ 40 bilhões no ano passado.

Outro ministro que se movimentou nas últimas semanas para viabilizar novos parceiros comerciais foi o titular da Casa Civil, Rui Costa. Braço direito de Lula, o ministro pediu reuniões com representantes das embaixadas de China e Índia no Brasil. O caso da Índia é importante porque o Brasil também negocia enviar uma missão de empresários brasileiros ao país.

Liderado pelo chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty, por sua vez, deposita esperança em ao menos quatro países. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, já há negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos e Canadá. Além disso, há um “processo de diálogo” com a própria Índia e o Vietnã. Este último vem sendo sondado por Lula para um possível acordo de livre-comércio com o Mercosul, organismo que está sendo presidido pelo Brasil até o fim do ano.

Além disso, o Itamaraty está preparando duas viagens de Lula, para este segundo semestre, com potencial para expandir o comércio brasileiro. Ambas estão previstas para acontecer em outubro, quando Lula irá participar da reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), evento que será sediado na Malásia. Na mesma ocasião, o presidente brasileiro deve fazer também uma visita de Estado à Indonésia, país que tem mais de 280 milhões de habitantes e, portanto, um mercado consumidor com enorme potencial.

Por fim, a Agricultura é outro ministério que se movimentou com o mesmo objetivo. O foco da pasta está em encontrar alternativas para a comercialização de café, carne bovina, pescados e frutas, principais produtos exportados para os EUA.

Por causa disso, neste mês de agosto, o ministério enviou um missão para Japão e Coreia do Sul, dois dos três mercados mundiais que continuam fechados para a carne bovina brasileira. A esperança do ministro Carlos Fávaro é destravar o mercado japonês, por exemplo, entre novembro e dezembro.

Fonte: Valor Econômico

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