Greve paralisa os principais portos da Argentina, interrompe embarques de grãos e afeta o comércio
fev, 19, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202608
Uma greve nacional dos trabalhadores marítimos levou as operações portuárias em toda a Argentina a um quase completo impasse, provocando forte disrupção na movimentação de cargas, nas exportações de grãos e nos principais fluxos logísticos da estratégica rede de portos marítimos e fluviais do país.
A paralisação de 48 horas, iniciada na quarta-feira, 18 de fevereiro, pela Federación Sindical Marítima y Fluvial (FESIMAF), é um protesto contra um projeto de reforma trabalhista apoiado pelo presidente Javier Milei e contestado pelos sindicatos, que afirmam que a proposta enfraquece as proteções aos trabalhadores e exclui os marítimos de salvaguardas legais fundamentais. A greve ocorre simultaneamente a uma paralisação geral mais ampla, convocada para quinta-feira pela poderosa central sindical CGT.
Portos afetados em todo o país
A greve teve impacto generalizado nas operações rotineiras de praticamente todos os principais terminais marítimos e fluviais da Argentina:
Complexo portuário de Rosário / San Lorenzo–Timbúes (Santa Fé) — Um dos mais importantes polos de exportação agrícola do mundo, onde a paralisação afetou severamente as operações de carga e descarga, especialmente de grãos, oleaginosas e commodities relacionadas. A ação deve interromper as atividades de 17 terminais de grãos no corredor San Lorenzo–Timbúes, uma artéria-chave para as exportações argentinas de soja, milho e trigo.
Porto de Buenos Aires e terminais fluviais adjacentes — Atividades como movimentação de cargas, amarração de embarcações e transferência de práticos foram suspensas, afetando tanto exportações quanto importações, além do tráfego de carga geral e contêineres.
Demais portos argentinos — Segundo comunicados sindicais e reportagens da imprensa, a paralisação se estendeu aos 17 terminais portuários do país, incluindo instalações voltadas à carga geral, contêineres, frotas pesqueiras e serviços offshore. A greve atinge serviços essenciais como operações de rebocadores, transferências de práticos e amarração e desamarração de navios — funções críticas para a movimentação segura e eficiente das embarcações comerciais.
O comunicado dos sindicatos deixa claro que praticamente todos os segmentos da mão de obra portuária marítima e fluvial — incluindo tripulações de rebocadores, lanchas de praticagem, equipes de amarração e pessoal de apoio — suspenderam suas atividades regulares durante o período da greve, deixando os portos em grande parte inativos.
Dados da plataforma DataLiner da Datamar relevam que, no acumulado de 2015, o Porto de Buenos Aires observou um aumento de 37,8% na movimentação de contêineres transportados no longo curso. Veja a seguir o volume mensal das exportações e importações de contêineres somadas, segundo dados da Datamar.
Buenos Aires | Exportações & Importações | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Impactos imediatos nos negócios
Fontes do setor e exportadores relatam que a greve paralisou os embarques de grãos e outras cargas de exportação, especialmente em Rosário e na bacia do rio Paraná, regiões que concentram uma parcela significativa das exportações agrícolas da Argentina. De acordo com a câmara dos exportadores de grãos do país, a CIARA-CEC, a paralisação levou as atividades agroexportadoras a um “bloqueio completo”, com navios impedidos de obter o calado necessário para zarpar mesmo após carregamento parcial.
A paralisação do sistema portuário também se estende a outros setores, incluindo a pesca e serviços marítimos, uma vez que trabalhadores aderiram à greve em portos onde operam frotas pesqueiras.
Disrupção mais ampla no comércio e na logística
As exportações de soja, milho, trigo e outras commodities que dependem de carregamento e embarque pontuais pelos portos argentinos enfrentam atrasos crescentes, com efeitos em cadeia sobre as cadeias globais de suprimentos. A Argentina é um dos principais fornecedores mundiais de soja, milho e grãos, e o momento da greve intensifica as disrupções.
Os fluxos de importação de insumos industriais e outras mercadorias também foram afetados, com terminais de contêineres paralisados e cronogramas de navios comprometidos.
Contexto político e mobilização sindical mais ampla
A paralisação dos trabalhadores marítimos integra um movimento mais amplo de oposição sindical ao projeto de reforma trabalhista do governo, que já foi aprovado no Senado e segue em debate na Câmara dos Deputados. Críticos argumentam que a proposta restringe o direito à negociação coletiva e enfraquece garantias como indenizações por demissão e o direito de greve — pontos que vêm sendo amplamente criticados por sindicatos de diversos setores.
A greve nacional convocada pela CGT para quinta-feira acrescentou ainda mais pressão sobre as redes de transporte, incluindo operações portuárias, transporte público e outros segmentos logísticos.
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