Importadores brasileiros correm contra o tempo para garantir estoque antes da Black Friday
ago, 27, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202635
A proximidade da Black Friday e do Natal deve acelerar as importações brasileiras no segundo semestre. A estimativa do Grupo Allog, um dos principais agentes de carga do país, é de alta de cerca de 5% no volume de cargas importadas no período, impulsionada principalmente por eletrônicos e eletrodomésticos, que concentram parte importante da demanda nesta época do ano.
O movimento ocorre em um ambiente de maior pressão sobre a cadeia internacional de suprimentos, em que prazos e custos estão sujeitos a fatores que vão além da demanda brasileira. Para os importadores, o desafio será conciliar o aumento dos volumes com uma logística internacional marcada por alterações de rotas, gargalos portuários, disponibilidade de navios e eventos climáticos.
“O aumento da demanda não significa necessariamente que o volume de importações acompanhará o crescimento do faturamento na mesma proporção. Além disso, tivemos um primeiro semestre forte, impulsionado, entre outros fatores, pelas importações de veículos elétricos, que cresceram mais de 10% na comparação anual”, afirma Kall Claudino, gerente de Importação do Grupo Allog.
Para ele, a principal preocupação dos importadores precisa ser a previsibilidade e antecipação da operação. Quanto maior a antecedência, maior a capacidade de absorver atrasos sem comprometer a disponibilidade do produto no mercado.
“Em produtos sazonais, um atraso de poucos dias pode comprometer o abastecimento justamente no período de maior demanda. O planejamento baseado na expectativa de que o processo sairá 100% conforme o previsto é um dos maiores erros de um importador. É importante trabalhar com uma margem maior no prazo de chegada, considerando possíveis contratempos na origem, durante o transporte ou na chegada ao Brasil”, diz.
Variáveis que podem impactar na logística deste ano
Eventos climáticos: A logística de cargas provenientes da Ásia também está sujeita a eventos climáticos capazes de alterar a programação de navios e portos. No início de agosto, o tufão Dolphin atingiu áreas do Japão e avançou em direção à costa chinesa, levando à interrupção de operações portuárias, aeroportuárias e de transporte em algumas regiões. Na sequência, a tempestade tropical Chan-hom também afetou áreas do Japão.
Conflitos geopolíticos: A situação geopolítica acrescenta outra variável. Restrições e incertezas envolvendo o Estreito de Hormuz, importante corredor para o transporte internacional de petróleo e derivados, permanecem no radar do mercado. Embora Hormuz não seja uma rota direta para a maior parte dos contêineres que saem da Ásia para o Brasil, uma instabilidade prolongada na região pode repercutir sobre preços de combustíveis, seguros, disponibilidade de embarcações e custos logísticos globais.
Além disso, mudanças no fluxo de navios em outras áreas estratégicas podem provocar efeitos indiretos sobre a oferta de capacidade. A reorganização das rotas internacionais tende a aumentar o transit time em determinados serviços e pode pressionar a disponibilidade de espaço e equipamentos.
Concentração de cargas: No Brasil, a expectativa de maior concentração de cargas acrescenta outro componente de risco. Gargalos nos terminais e eventuais restrições na disponibilidade de contêineres podem ampliar o prazo entre a chegada do navio e a efetiva entrega da mercadoria. “Não basta considerar o transit time contratado. É preciso acompanhar a operação e entender o que está acontecendo na origem, com os navios e nos portos. Uma alteração em qualquer uma dessas etapas pode repercutir no prazo final”, explica Kall.
Atenção para os fretes marítimos
Os fretes marítimos são outro ponto de atenção. As tarifas tendem a responder ao equilíbrio entre oferta e demanda. Enquanto a ampliação da capacidade dos armadores pode pressionar os preços para baixo, movimentos como os blank sailings, quando viagens são canceladas ou retiradas da programação, podem elevar os custos.
Nesse cenário, a escolha do transporte precisa considerar mais do que o custo do frete. Para produtos de alto giro, como eletrônicos e eletrodomésticos, o impacto de um atraso sobre estoque e vendas pode superar a economia obtida com uma alternativa logística mais barata. “Não existe uma fórmula única. É preciso avaliar o valor da carga, o prazo necessário, o risco de ruptura de estoque e o impacto financeiro de cada alternativa”, explica.
Desembaraço aduaneiro entra na estratégia
Com a concentração das vendas em poucas semanas, o desembaraço aduaneiro passa a ter impacto direto no resultado das operações. Menito Luz, gerente de Desembaraço Aduaneiro do Grupo Allog, explica que a liberação das cargas deve ser tratada como parte da estratégia comercial.
“Uma carga parada no porto ou no aeroporto pode significar uma venda perdida. Por isso, o desembaraço precisa começar antes da chegada da mercadoria, com planejamento e conferência antecipada de toda a documentação”, afirma.
Entre as medidas estão a pré-conferência de documentos, a gestão antecipada de licenças e, quando aplicável, o registro antecipado de declarações aduaneiras, como DUIMP ou DI. A integração com o transporte terrestre também pode evitar que uma carga, depois de liberada, permaneça no terminal aguardando a programação de retirada.
“Embora o importador não controle as oscilações globais, uma assessoria aduaneira estratégica mitiga esses riscos. O monitoramento constante das etapas da operação, pré-conferência documental rigorosa e uso de regimes especiais ou entrepostos, ajuda a neutralizar gargalos previsíveis”, finaliza Luz.
Fonte: Allog
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