Irã cria seguro para transporte marítimo no Estreito de Ormuz com lastro em bitcoin
maio, 20, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202621
O Irã lançou um serviço de seguro lastreado em bitcoin para empresas de navegação que desejam transitar pelo Estreito de Ormuz, informou a agência semioficial Fars, citando documentos obtidos do Ministério da Economia e Finanças do país.
Batizado de Hormuz Safe, o serviço poderia gerar mais de US$ 10 bilhões em receitas para a República Islâmica, segundo o governo iraniano, informou a Fars, sem detalhar o prazo nem explicar como o mecanismo funcionaria.
O Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz — importante rota para o abastecimento global de energia e outras mercadorias — desde que Estados Unidos e Israel começaram ataques aéreos contra o país, em 28 de fevereiro. Desde então, o governo e a Guarda Revolucionária Islâmica buscam formalizar o controle sobre a hidrovia, inclusive com a cobrança de pedágios e outras taxas. Um serviço de seguro poderia ser mais uma forma de arrecadação.
Segundo uma captura de tela do site Hormuz Safe compartilhada pela Fars, o serviço será voltado a “empresas de navegação e proprietários de cargas iranianos”. O Irã é alvo de pesadas sanções dos Estados Unidos, e o uso de criptomoedas como bitcoin e tether cresceu fortemente no país desde que o presidente Donald Trump passou a mirar sua economia e suas exportações de energia durante seu primeiro governo.
“Apólices de seguro verificáveis criptograficamente serão fornecidas para cargas que passem pelo Golfo Pérsico, pelo Estreito de Ormuz e por vias marítimas próximas, e os pagamentos serão liquidados em bitcoin”, informou a Fars, citando o site hormuzsafe.ir, que aparentemente não pode ser acessado fora do Irã. “A carga estará coberta a partir do momento da confirmação, e um recibo assinado será entregue ao proprietário.”
Estados Unidos e Irã observam um cessar-fogo instável desde o início de abril, e resolver o impasse em torno do Estreito de Ormuz é essencial para qualquer acordo formal de paz.
Trump fez uma nova ameaça ao Irã no domingo, dizendo a Teerã que “é melhor se mexer, e rápido, ou não sobrará nada deles”, segundo publicação na Truth Social. Os dois lados rejeitaram repetidamente as exigências um do outro e não conseguem chegar a um acordo sobre como retomar as negociações de paz.
Com a continuidade do impasse, mais de 1.500 embarcações comerciais estavam retidas no Golfo Pérsico no início de maio, segundo os militares dos EUA. Produtores de petróleo da região foram obrigados a reduzir fortemente a produção, à medida que ficavam sem espaço para armazenar petróleo bruto.
O governo iraniano e a Guarda Revolucionária permitiram que algumas embarcações fizessem a travessia por uma rota designada próxima à costa do Irã, em alguns casos após solicitar pagamentos de até US$ 2 milhões. Em resposta, os Estados Unidos bloquearam portos iranianos.
Ainda não está claro em que medida o serviço de seguro Hormuz Safe está diretamente ligado à Guarda Revolucionária ou aos planos mais amplos do governo para consolidar um sistema oficial de pedágio. A Fars tem forte ligação com a Guarda.
Também não há certeza de que um sistema de seguro marítimo baseado em bitcoin seja viável. Diferentemente das chamadas stablecoins, que são atreladas a moedas fiduciárias como o dólar, o bitcoin é altamente volátil — característica que tem limitado sua adoção como meio de pagamento. Proprietários estrangeiros de navios também podem hesitar em usar esse mecanismo por receio de violar sanções dos Estados Unidos contra o Irã.
Babak Zanjani, empresário iraniano que fez fortuna ajudando a República Islâmica a contornar sanções, começou a promover a ideia de um esquema iraniano de seguro marítimo para o Estreito de Ormuz em 8 de maio.
Zanjani — solto da prisão no ano passado após ter sua sentença de morte comutada — compartilhou os primeiros detalhes do Hormuz Safe com seus seguidores minutos depois da publicação da reportagem da Fars. Ele havia sido preso anteriormente por desviar bilhões de dólares do Ministério do Petróleo do Irã.
As informações sobre o Hormuz Safe coincidiram com uma declaração de um parlamentar iraniano de que a República Islâmica apresentaria em breve um mecanismo profissional para administrar o tráfego no estreito por meio de uma rota designada.
Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, afirmou que “apenas embarcações comerciais e partes que cooperem com o Irã serão beneficiadas”.
“As taxas necessárias serão cobradas pelos serviços especializados prestados no âmbito desse mecanismo”, disse Azizi em comunicado no X, acrescentando que partes envolvidas na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã seriam proibidas de acessar a rota.
Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, disse na segunda-feira que autoridades iranianas e omanenses se reuniram na semana passada para discutir esforços conjuntos para “desenvolver um mecanismo” que garanta passagem segura a navios que transitam pelo estreito.
Fonte: Valor Econômico
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