Peixe

Mercado global de pescado cresce, enquanto importações preocupam setor brasileiro

set, 15, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202638

A produção e o comércio global de pescado devem continuar crescendo à medida que mudanças nos hábitos alimentares impulsionam o consumo e a aquicultura amplia sua participação na oferta, segundo relatório divulgado na semana passada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Para o Brasil, esse cenário traz oportunidades e preocupações. Os produtores nacionais buscam maior acesso aos principais mercados de exportação, mas alertam que o aumento das importações de espécies já produzidas no país pode prejudicar o setor. Enquanto isso, o domínio da China se destaca: por algumas estimativas, o país responde por quase metade da atividade pesqueira mundial.

Segundo a FAO, a produção mundial da pesca e da aquicultura atingiu o recorde de 235 milhões de toneladas em 2024, impulsionada pela aquicultura. A organização projeta que a disponibilidade global per capita aumentará de 21,3 quilos em 2024 para 21,9 quilos em 2034.

Peixes e frutos do mar representam 15% da disponibilidade global de carnes e são a principal fonte de proteína animal para mais de 40% da população mundial. Em 2024, a aquicultura superou a pesca extrativa pela primeira vez, respondendo por 53% da produção global.

Essa mudança deve continuar. A FAO projeta que a aquicultura responderá por 62% do pescado disponível para consumo humano até 2034.

A China também é a maior potência pesqueira do mundo em volume de capturas, apoiada por acordos com dezenas de países. Com os estoques pesqueiros de suas águas costeiras esgotados, o país estabeleceu operações de pesca em todo o mundo, mobilizando quase 3 mil embarcações do Oceano Índico ao Pacífico Sul e da costa africana à América do Sul, segundo organizações da sociedade civil.

A Oceana, organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos e dedicada à conservação dos oceanos, estima que embarcações chinesas possam ter respondido por 44% da atividade pesqueira global em alguns anos. Segundo a entidade, esses navios operaram nas águas de mais de 90 países por meio de acordos. Alguns analistas afirmam que a fiscalização deficiente em determinados países também pode abrir espaço para a pesca além dos limites formalmente permitidos pelos acordos.

A China ocupa uma posição singular: é a maior exportadora mundial, com 11% da receita das exportações, e a segunda maior importadora, com 12% dos gastos globais. Para países exportadores como o Brasil, a China é, ao mesmo tempo, concorrente e cliente.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) afirma que o Brasil importa 30% dos peixes e frutos do mar que consome, incluindo salmão e bacalhau, que não são produzidos no país. A preocupação, segundo o diretor-executivo da associação, Jairo Gund, está nas importações de espécies já produzidas no Brasil.

Um levantamento recente da Datamar mostra que as importações brasileiras de peixes congelados totalizaram 948 TEUs nos acumulado dos primeiros sete meses de 2026. Confira um detalhamento mensal abaixo:

Importação de Peixes Congelados | Jan 2023 – Jul 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Com o mercado da União Europeia ainda fechado ao pescado brasileiro e tendo conquistado recentemente uma isenção nos Estados Unidos, o setor afirma estar “sob ameaça das importações de produtos que prejudicam a cadeia produtiva nacional, como a tilápia do Vietnã”.

Nos primeiros seis meses deste ano, as importações brasileiras de tilápia do Vietnã superaram as exportações nacionais da espécie. A tilápia chinesa também poderá entrar em breve no mercado brasileiro, assim que forem concluídos os protocolos sanitários atualmente em negociação.

“Estamos em um momento de grande preocupação, e proteger a produção nacional é importante, inclusive com a possibilidade de cotas de importação”, afirmou Gund. “Não queremos criar atritos comerciais. O que queremos é que as importações ocorram de forma controlada, para não prejudicar a indústria nacional.”

O Brasil firmou recentemente um acordo para exportar pescado de captura para a China. Gund afirmou que, se o mercado europeu fosse reaberto, o Brasil poderia, por exemplo, quase triplicar sua produção de camarão em um prazo de três a cinco anos.

Fonte: Valor International

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