Economia

Novo mês de dados DataLiner: Comércio conteinerizado cresce na América do Sul enquanto fretes para a Costa Leste seguem em alta

jun, 01, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202623

Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar sobre a movimentação brasileira de contêineres apontam que, no acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações brasileiras via contêineres cresceram 2,1% em comparação com igual período do ano passado. Considerando apenas o mês de abril, o crescimento foi de 7,8% em relação a abril de 2025. Confira no gráfico abaixo:

Exportações Brasileiras via contêineres

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

O resultado ocorre em um cenário de reconfiguração do comércio internacional, marcado por tensões geopolíticas, mudanças nas cadeias globais de suprimentos e pela busca de novos mercados por exportadores e importadores. Apesar das incertezas, a demanda internacional por alimentos, fibras e matérias-primas continua sustentando os embarques da América do Sul.

A China continua sendo o principal parceiro comercial do Brasil nas exportações via contêineres, com um volume 19,8% superior ao primeiro quadrimestre de 2025, seguida pelos Estados Unidos, cujos embarques caíram 26,1%, e México, com um volume 7,1% maior.

O avanço dos embarques para a China reforça a importância do mercado asiático para o comércio exterior brasileiro em um momento em que empresas ao redor do mundo buscam diversificar fornecedores e rotas comerciais diante das incertezas geopolíticas e das mudanças nas políticas comerciais globais.

A principal mercadoria exportada pelo Brasil no período de janeiro a abril de 2026 foram as carnes, com um volume 6,7% maior que em iguais meses de 2025, seguida por madeira (-6,1%) e algodão (+19,5%). O desempenho das carnes e do algodão acompanha a demanda internacional por alimentos e matérias-primas, especialmente nos mercados asiáticos.

Já as importações brasileiras via contêineres cresceram 5,7% no acumulado dos quatro primeiros meses de 2026 em comparação com iguais meses de 2025. Considerando apenas os 30 dias de abril, houve um aumento de 16,6% nos recebimentos. Confira a seguir:

Importações Brasileiras via contêineres

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

A principal origem das importações via contêineres no período de janeiro a abril de 2026 é a China, com um volume 15,7% maior que em iguais meses de 2025, seguida pelos Estados Unidos, com um volume 33,9% menor, e Índia, cujos volumes cresceram 4,4% no mesmo comparativo.

Os números demonstram a consolidação da China como principal fornecedora de produtos manufaturados para o mercado brasileiro e reforçam a crescente integração comercial entre os dois países.

As autopeças foram as mercadorias mais importadas pelo Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, com um volume 33,4% maior que em igual período do ano passado, seguidas por plásticos (+5,9%) e reatores, caldeiras e máquinas (-3,1%). O crescimento das compras de autopeças sugere a continuidade da demanda da indústria brasileira por insumos e componentes importados.

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Plate

Já as exportações argentinas via contêineres cresceram 25,8% no primeiro quadrimestre do ano, em comparação com igual período do ano passado. As importações, por sua vez, caíram 7,8% no mesmo comparativo.

O desempenho argentino ocorre em meio às reformas econômicas voltadas para ampliar a competitividade externa e estimular as exportações, favorecendo a recuperação dos fluxos comerciais do país.

O Uruguai registrou alta de 11,6% nas exportações e de 12,4% nas importações via contêineres no período de janeiro a abril de 2026 na comparação com iguais meses de 2025, reforçando sua posição como importante hub logístico regional.

Fretes para a América do Sul avançam

Os fretes de contêineres para a América do Sul também registraram alta na semana encerrada em 29 de maio, impulsionados principalmente pela redução da oferta de espaço, segundo o boletim semanal da Platts Americas Container Freight.

Segundo agentes de carga ouvidos pela Platts, os armadores vêm criando uma espécie de “temporada de pico tarifária” por meio de cancelamentos de viagens, incertezas geopolíticas e custos elevados de combustível.

Na rota Norte da Ásia–Costa Oeste da América do Sul (PCR29), os fretes subiram US$ 300 na semana, alcançando US$ 5.100/FEU.

Já na rota Norte da Ásia–Costa Leste da América do Sul (PCR31), a alta foi de US$ 700, chegando a US$ 6.200 por FEU, um dos níveis mais elevados registrados nos últimos meses. O espaço disponível para embarques na primeira semana de junho tornou-se extremamente limitado devido a cancelamentos de escalas, falta de equipamentos e ajustes operacionais promovidos pelos armadores.

A CMA CGM anunciou uma sobretaxa de alta temporada (PSS) de US$ 1.000/FEU a partir de 20 de junho, enquanto outros armadores devem adotar medidas semelhantes.

Na rota Costa Leste da América do Sul–Costa do Golfo dos EUA (PCR56), os fretes permaneceram estáveis em US$ 2.100/FEU.

Perspectivas

O cenário para os próximos meses sugere continuidade da pressão sobre os fretes destinados à Costa Leste da América do Sul. Além da redução da oferta de espaço promovida pelos armadores, o mercado acompanha os impactos das tensões no Oriente Médio, que continuam afetando os custos de combustível e seguros marítimos, bem como os desdobramentos das políticas tarifárias dos Estados Unidos e das negociações comerciais envolvendo o Mercosul.

A rota Ásia–Costa Leste da América do Sul deverá permanecer particularmente aquecida. O crescimento das importações brasileiras, a recuperação das exportações argentinas e a demanda sustentada dos mercados asiáticos por produtos sul-americanos tendem a manter elevados os volumes transportados na região durante o segundo semestre.

Caso a oferta de navios e equipamentos continue restrita, novos aumentos tarifários e sobretaxas poderão ser implementados pelos armadores. Nesse contexto, embarcadores que operam na Costa Leste da América do Sul devem enfrentar um ambiente de custos logísticos mais elevados e necessidade de planejamento antecipado das cargas.

Ao mesmo tempo, a possível implementação do acordo Mercosul-União Europeia e o avanço de outras negociações comerciais podem gerar novas oportunidades para exportadores da região nos próximos anos, fortalecendo ainda mais a importância estratégica da Costa Leste da América do Sul nas rotas globais de contêineres.

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