Número recorde de navios abandonados
maio, 30, 2025 Postado porDenise VileraSemana202522
O número de embarcações abandonadas disparou quase 33% em relação ao ano anterior, com 158 casos já registrados até maio de 2025, em comparação com 119 no mesmo período do ano passado, segundo novos dados divulgados pela Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF).
Esses casos impactaram pelo menos 1.501 marítimos — muitos dos quais ficaram sem pagamento, sem alimentos, água ou cuidados médicos, e em alguns casos foram impedidos de acessar instalações portuárias por meses. A ITF afirma que a tendência evidencia uma crise humanitária crescente na indústria marítima global.
“O abandono é um problema crescente e sistêmico”, afirmou Stephen Cotton, secretário-geral da ITF. “Por trás de cada número há um ser humano que foi abandonado pela indústria e pelos governos responsáveis por regulamentá-la. O fato de estarmos prestes a bater o recorde vergonhoso do ano passado é um sinal de que reformas urgentes são necessárias.”
O abandono de embarcação geralmente ocorre quando os armadores se retiram de suas obrigações financeiras e legais, deixando as tripulações presas a bordo sem salários ou suprimentos. A ITF e sua rede global de inspetores têm atuado para recuperar salários não pagos, tendo reavido mais de US$ 58,1 milhões em 2024, incluindo US$ 13,5 milhões para tripulações abandonadas.
Somente em 2025, a ITF já recuperou mais US$ 4,1 milhões para marítimos afetados por abandono. No entanto, com o número de casos subindo rapidamente, a federação alerta que sua capacidade de resposta está sendo sobrecarregada — e os mecanismos de fiscalização estão falhando.
“Estamos lidando com proprietários que simplesmente desaparecem, muitas vezes protegidos por registros de bandeiras de baixa qualidade, que não fazem absolutamente nada”, disse Steve Trowsdale, chefe da inspetoria da ITF. “Frequentemente, é impossível até mesmo identificar quem é o verdadeiro dono da embarcação. Essa impunidade crescente é o que torna a situação tão perigosa.”
Segundo a ITF, o sistema de bandeiras de conveniência (FOC) está no cerne da crise, permitindo que embarcações se registrem sob países com fiscalização fraca, tributação mínima e pouca transparência. Atualmente, mais de 50% da frota mercante mundial está registrada em estados FOC, os quais são responsáveis por mais de 80% dos casos conhecidos de abandono.
Em resposta a recentes abusos, a ITF adicionou Tuvalu e Guiné-Bissau à sua lista oficial de FOCs, elevando o total para 45 países. Ambas as nações foram associadas a frotas-sombra que transportam cargas sancionadas e escapam da fiscalização.
“O transporte marítimo é o motor do comércio global, mas seus trabalhadores são tratados como descartáveis”, declarou Cotton. “Precisamos expor e reformar o sistema FOC. Toda embarcação deve ostentar uma bandeira que prove uma ligação transparente e rastreável com seu verdadeiro proprietário beneficiário.”
A ITF está pressionando por uma reformulação global dos sistemas de registro de embarcações e por ferramentas de fiscalização mais robustas para as autoridades reguladoras. As principais reformas incluem:
exigência de transparência na propriedade das embarcações;
poderes para deter embarcações envolvidas em roubo de salários ou abandono;
criação de padrões internacionais de responsabilidade para os registros FOC;
e garantia de alimentação, salários e repatriação para os marítimos deixados à deriva.
“Somente com um vínculo genuíno entre a embarcação e seu proprietário — e com vontade política para aplicar o direito marítimo internacional — poderemos pôr fim a essa crise”, concluiu Cotton.
Com mais de 1,5 milhão de marítimos sustentando 90% do comércio mundial, a ITF alerta que, sem ações decisivas, o abandono pode se tornar a nova norma no transporte marítimo global.
Fonte: Splash 247
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