PIB do agronegócio brasileiro recua 2,01%, mas exportações sustentam logística
ago, 07, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202632
O PIB do agronegócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Cepea, da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado deu sequência à perda de ritmo observada no fim de 2025 e foi puxado principalmente pelo ramo agrícola.
Apesar da retração no indicador agregado, o relatório mostra que o comércio exterior e a movimentação de cargas seguiram exercendo papel importante na sustentação da demanda por serviços ligados ao agro, especialmente nas cadeias exportadoras de grãos, carnes e produtos florestais.
Pela ótica dos ramos do agronegócio, o desempenho foi desigual. O ramo agrícola caiu 3,62% no primeiro trimestre, enquanto o ramo pecuário avançou 0,70%. Entre os segmentos que compõem o setor, houve queda em insumos (-2,15%), produção primária (-4,15%), agroindústria (-1,03%) e agrosserviços (-1,25%).
O Cepea projeta que o PIB do agronegócio alcance R$ 3,13 trilhões em 2026, sendo R$ 1,88 trilhão no ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão no ramo pecuário. Com isso, a participação do agro na economia brasileira deve ficar próxima de 22,8% neste ano, abaixo dos 25,2% registrados em 2025.
Preços menores pressionam o campo
A queda do PIB do agronegócio brasileiro no início do ano foi explicada, em grande parte, pelo recuo dos preços reais recebidos pelos produtores. No segmento primário agrícola, o PIB caiu 5,72%, apesar da expectativa de aumento na produção de importantes commodities, como café, cana-de-açúcar e soja.
Segundo o relatório, o avanço produtivo não foi suficiente para compensar a queda dos preços. Entre as culturas que mais contribuíram para a pressão negativa sobre os preços estão algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, laranja, milho, soja e trigo.
Na pecuária, o segmento primário também recuou, com queda de 1,77%. O relatório aponta que a produção deve crescer em todas as atividades acompanhadas, com destaque para aves e suínos, mas os preços menores limitaram o valor da produção.
Pecuária ajuda a sustentar serviços e logística
A leitura mais relevante para operadores de comércio exterior e logística está no comportamento dos agrosserviços. O PIB dos serviços ligados ao agronegócio caiu 1,25% no primeiro trimestre, mas o desempenho foi diferente entre agricultura e pecuária.
Nos serviços vinculados à agricultura, houve retração de 3,40%, refletindo o menor dinamismo dos segmentos de insumos, produção primária e agroindústria. Esse movimento reduziu a demanda por transporte, armazenagem, comércio e serviços especializados.
Na pecuária, porém, os agrosserviços cresceram 1,86%. O avanço acompanhou o desempenho da agroindústria pecuária, que subiu 1,93%, sustentada pela expansão do abate e do processamento de carnes bovina, suína e de frango. Esse movimento ajudou a manter a demanda por serviços ao longo da cadeia produtiva.
O relatório destaca que importantes cadeias exportadoras de proteína animal continuaram contribuindo para a atividade logística, mesmo em um cenário de menor dinamismo em parte das cadeias agrícolas.
Exportações seguem sustentando demanda por serviços
O setor externo continuou relevante para a movimentação ligada ao agro. Dados do Agrostat/MAPA citados no relatório indicam que as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 0,52% na comparação entre os primeiros trimestres de 2026 e 2025.
Embora o ritmo tenha sido mais moderado do que em anos anteriores, o desempenho das exportações seguiu demandando serviços logísticos, financeiros, administrativos e de apoio ao comércio exterior, especialmente nas cadeias de grãos, carnes e produtos florestais.
A movimentação de cargas também mostrou resiliência. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) citados pelo Cepea, o volume total de cargas movimentado cresceu 4,85% na comparação entre os primeiros trimestres de 2026 e 2025.
O resultado indica que a demanda por transporte associado ao escoamento da produção agropecuária e agroindustrial continuou ativa, mesmo com a perda de fôlego do PIB do agro.
Outro indicador ligado à logística foi o consumo de óleo diesel. As vendas do combustível cresceram 2,89% na comparação anual do primeiro trimestre, sinalizando manutenção da atividade de transporte de cargas e da movimentação econômica. Já as vendas de etanol recuaram 6,76% no período.
Insumos e agroindústria sentem ambiente mais restritivo
O segmento de insumos caiu 2,15% no primeiro trimestre. No ramo agrícola, a retração foi associada ao desempenho das indústrias de defensivos e máquinas agrícolas, pressionadas por margens menores dos produtores, crédito mais restrito e maior cautela nos investimentos.
A indústria de fertilizantes e corretivos de solo teve projeção de crescimento de 1,03% no valor da produção, apoiada no aumento de 3,80% do volume produzido, apesar da queda de 2,67% nos preços reais. O relatório, porém, alerta que as estimativas podem não captar totalmente os impactos da intensificação recente dos conflitos no Oriente Médio sobre fertilizantes, insumos e custos logísticos.
Na agroindústria, o PIB recuou 1,03%. A queda foi puxada pelas atividades de base agrícola, que caíram 2,31%, com contribuições negativas das indústrias de café e açúcar. Já as agroindústrias de base pecuária avançaram 1,93%, em meio ao dinamismo das cadeias de carnes.
Comércio exterior continua central para o agro
Para empresas de transporte, armazenagem, terminais portuários, tradings e operadores de comércio exterior, o relatório mostra uma divisão clara: o PIB do agronegócio brasileiro perdeu força no início de 2026, mas os fluxos de exportação e a movimentação de cargas continuaram sustentando parte relevante da demanda logística.
O menor valor da produção agrícola tende a pressionar investimentos e decisões de compra de insumos, máquinas e serviços. Por outro lado, a expansão das cadeias de proteína animal e a continuidade das exportações de grãos, carnes e produtos florestais mantêm o agro como um dos principais vetores de carga no país.
O desempenho do restante do ano dependerá da combinação entre preços internacionais, câmbio, custos logísticos, crédito e ritmo das exportações. Mesmo com retração no PIB setorial, o relatório do Cepea/CNA indica que o comércio exterior segue funcionando como um amortecedor para a atividade logística ligada ao agronegócio brasileiro.
Fonte: Cepea
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