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Portos brasileiros aceleram descarbonização para manter competitividade logística

jun, 03, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202623

A descarbonização dos portos e terminais marítimos deixou de ser uma meta de longo prazo e passou a ser uma necessidade estratégica imediata para o Brasil. É o que avalia Mauro Sammarco, presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e da Associação Comercial de Santos.

Segundo Sammarco, a pressão vem tanto das metas internacionais de redução de emissões quanto de exigências de mercado e das cidades portuárias afetadas pela poluição.

“As empresas sentem uma pressão, uma necessidade urgente de fazer esforços para descarbonização”, afirmou.

O Porto de Santos já registra avanços nessa direção, especialmente nos terminais de contêineres, com a substituição de equipamentos movidos a diesel por veículos elétricos. Guindastes portuários e equipamentos de pátio estão entre os ativos que passam por esse processo de transição para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

Outro ponto considerado central é o fornecimento de energia elétrica em terra para navios atracados, prática conhecida como eletrificação de cais. A medida permite que as embarcações desliguem seus geradores a diesel enquanto permanecem no porto.

“O navio, quando está atracado no cais, não está rodando seu motor principal, mas está rodando geradores. Isso está gerando poluentes para aquela região portuária”, explicou.

Sammarco destacou que o tema já avança em projetos no Brasil, como no Porto do Pecém e na Portonave, em Navegantes. Segundo ele, o país ainda discute ajustes regulatórios e a participação de empresas de geração e distribuição de energia para atender à demanda dos navios.

Na avaliação do executivo, a agenda ambiental também envolve temas como água de lastro e incrustação no casco das embarcações, que podem transportar organismos entre diferentes regiões. Ele afirmou que a regulação da água de lastro é competência da Marinha, conforme convenção internacional, e citou discussões em Santos sobre regras adicionais impostas pela autoridade portuária local.

Sammarco também apontou a expansão ferroviária como parte essencial da transição para uma logística mais eficiente e sustentável. Para ele, o Brasil acumulou atraso ao priorizar historicamente o transporte rodoviário.

“Infelizmente, o país fez uma opção no passado por deixar de investir em ferrovias”, disse.

Segundo ele, a produção brasileira de grãos, superior a 350 milhões de toneladas, pressiona um sistema logístico ainda ineficiente para transportar cargas do Centro-Oeste e do Matopiba até as áreas de escoamento. Sammarco citou como positivos os investimentos em concessões ferroviárias, a Ferrogrão e os projetos de ligação bioceânica.

A cabotagem também foi apontada como um modal subutilizado no país. De acordo com Sammarco, o baixo uso decorre de fatores culturais e regulatórios, incluindo a preferência histórica pelo transporte rodoviário e a tributação sobre o combustível utilizado na navegação costeira.

“A gente precisa ter benefícios para poder usar esse modal que traz uma grande eficiência”, afirmou.

Ao comentar a competição entre os portos brasileiros, Sammarco disse que Santos deve manter seu protagonismo na movimentação de contêineres por estar próximo ao maior mercado consumidor do país, o estado de São Paulo. Para as cargas de grãos, porém, destacou que os investimentos no Arco Norte fazem sentido econômico e logístico.

Segundo ele, a possibilidade de escoar grãos pela costa do Pacífico pode reduzir o tempo de viagem até a China, diminuir custos de frete e ampliar a competitividade brasileira frente aos Estados Unidos.

Fonte: Times Brasil

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