Super Terminais investe R$ 650 milhões e se prepara para enfrentar a seca no Amazonas
set, 30, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202640
O Super Terminais, associado ao Instituto Brasil Logística (IBL), investiu cerca de R$ 650 milhões nos últimos dois anos para ampliar e modernizar sua operação no Amazonas. A estratégia combina três frentes: a expansão da infraestrutura portuária em Manaus, a preparação para períodos de seca severa e a entrada no mercado de grãos e fertilizantes pelo corredor do Arco Norte.
O anúncio chega num momento crítico para a região. A estiagem e as queimadas na Amazônia levaram a fumaça até Manaus. Ao mesmo tempo, os rios estão baixando, o que já preocupa o setor logístico.
“Este é um momento especialmente desafiador para o Amazonas. A estiagem e as queimadas já afetam a rotina da população e, com a piora da qualidade do ar, exigem atenção também à saúde. No setor logístico, sabemos que as condições climáticas podem trazer impactos para a navegação, como a redução do nível dos rios, a perda de visibilidade e a dificuldade de movimentação em diferentes trechos. Esse cenário reforça a importância de um planejamento prévio para enfrentar períodos de crise”, afirma Marcello Di Gregorio, diretor-geral do Super Terminais.
Com a vazante, os navios de grande porte podem não conseguir chegar a Manaus. Para não interromper o abastecimento do Polo Industrial de Manaus (PIM), a empresa pode levar parte da estrutura flutuante para Itacoatiara, que passa a receber os contêineres temporariamente. O plano já foi usado em 2024.
“No Super Terminais, já estamos preparados para replicar a operação realizada em 2024 e transferir parte da nossa estrutura flutuante para Itacoatiara. Além disso, nos últimos dois anos, investimos cerca de R$ 650 milhões em infraestrutura, tecnologia e expansão regional. Nosso compromisso é garantir uma logística resiliente, segura e eficiente e contribuir para que o Amazonas e a região Norte operem com toda a sua capacidade e vocação, em qualquer período do ano”, completa.
Manaus: mais capacidade e energia mais limpa
O terminal de Manaus recebeu a maior parte do investimento, cerca de R$ 400 milhões. O principal gasto foi com três guindastes elétricos de fabricação alemã, que custaram R$ 120 milhões. O cais também cresceu: agora tem seis berços de atracação, dois a mais do que antes.
Outra frente é a energia. A empresa está implantando uma usina de gás natural de R$ 30 milhões, dedicada à operação portuária, em parceria com o Governo do Amazonas e a Cigás. A troca do diesel pelo gás deve reduzir em cerca de 17 mil toneladas por ano as emissões de CO₂, segundo a companhia.
O terminal tem hoje entre 600 e 700 funcionários diretos. De janeiro a junho de 2026, foram movimentados 138.035 TEUs, e a meta é fechar o ano acima de 300 mil.
Itacoatiara: porta de entrada para os grãos
Os R$ 250 milhões restantes foram para o Super Porto Verde, novo terminal da empresa em Itacoatiara, a 175 quilômetros de Manaus. Com ele, o Super Terminais entra na movimentação de commodities agrícolas, principalmente grãos e fertilizantes.
A área terá 300 mil m², com píer flutuante de 240 metros e três guindastes elétricos. Juntos, eles poderão movimentar até 2,1 mil toneladas por hora. A estrutura receberá ao mesmo tempo um navio Panamax de até 50 mil toneladas e seis barcaças, e completará o transbordo em até 36 horas. A previsão é de 130 empregos diretos e 250 indiretos.
O terminal fica perto do encontro dos rios Madeira e Amazonas, caminho usado para levar a produção do Centro-Oeste até os portos do Norte.
Fonte: IBL
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