Três estaleiros japoneses vão retomar a produção doméstica de navios transportadores de GNL
jun, 15, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
Três estaleiros japoneses retomarão conjuntamente a construção doméstica de navios transportadores de gás natural liquefeito (GNL) por volta de 2035, com o objetivo de produzir entre três e cinco embarcações por ano, possivelmente com o apoio de tecnologias sul-coreanas, apurou o Nikkei.
A Imabari Shipbuilding, a Kawasaki Heavy Industries e a Namura Shipbuilding compartilharão conhecimento técnico e fornecerão soldadores qualificados para reativar a construção de navios de GNL fabricados no Japão, cuja produção foi interrompida após a última entrega realizada em 2019.
O plano principal prevê a utilização do estaleiro de Sakaide, da Kawasaki Heavy, na província de Kagawa. O governo japonês também estuda oferecer subsídios a potenciais compradores para apoiar a iniciativa.
A retomada da construção doméstica de navios de GNL será incluída em um roteiro de investimentos público-privado que será elaborado neste mês pelo Conselho para a Estratégia de Crescimento do Japão. A construção naval é uma das 17 áreas prioritárias definidas pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, e o apoio ao renascimento da indústria de navios de GNL será um dos pilares desse esforço.
O Japão depende de importações para suprir 98% do GNL consumido internamente, utilizado tanto como combustível para geração de energia elétrica quanto para o fornecimento de gás canalizado às residências. Embora esses navios sejam essenciais para as importações japonesas, embarcações de menor custo produzidas pela Coreia do Sul e pela China acabaram retirando os construtores japoneses desse mercado.
Outros estaleiros poderão aderir ao projeto. Atualmente, cerca de 100 navios de GNL operam no abastecimento de gás ao Japão. Considerando uma vida útil de aproximadamente 20 anos, a construção de três a cinco embarcações por ano seria suficiente para manter a capacidade de transporte necessária às importações do país.
No entanto, após mais de cinco anos sem produzir esse tipo de embarcação, o Japão perdeu parte da cadeia de suprimentos necessária para sustentar a indústria. Os estaleiros também deixaram de dominar a tecnologia de construção de tanques esféricos para GNL, que se tornaram o padrão predominante no mercado.
As empresas envolvidas estudam solicitar assistência tecnológica da Coreia do Sul, que possui expertise nesse tipo de tanque. Além disso, buscarão cooperação de uma empresa francesa detentora das licenças tecnológicas relacionadas.
A Coreia do Sul responde por cerca de 70% da construção mundial de navios de GNL, enquanto a China fornece a maior parte do restante. Diante da escassez de mão de obra enfrentada pelos estaleiros sul-coreanos e da preocupação com os avanços tecnológicos dos concorrentes chineses, uma cooperação com o Japão pode representar uma vantagem estratégica para os sul-coreanos.
Ainda assim, a produção de navios de GNL é significativamente mais complexa do que a construção de embarcações convencionais. Especialistas do setor afirmam que esforços exclusivamente privados não seriam suficientes para revitalizar essa indústria. Os subsídios estudados pelo governo japonês serviriam para compensar a diferença de preço entre os navios japoneses e os modelos mais baratos fabricados na Coreia do Sul e na China.
Os grandes estaleiros japoneses dominaram o mercado global de navios de GNL durante as décadas de 1980 e 1990. Além da Imabari e da Kawasaki Heavy, a Mitsubishi Heavy Industries também produzia esse tipo de embarcação.
Entretanto, a participação japonesa despencou quando os estaleiros sul-coreanos, apoiados pelo governo, passaram a oferecer preços mais competitivos nos anos 2000. As empresas chinesas também ampliaram sua presença no setor desde então.
Hoje, o Japão considera estratégico voltar a construir seus próprios navios de GNL diante do aumento dos riscos geopolíticos que podem ameaçar o transporte de energia para o país.
Fonte: Nikkei Asia
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