Villa Germania diversifica com exportações de penas de pato para a Europa
dez, 30, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202553
A gripe aviária e a pressão de produtos chineses nos mercados internacionais pesaram sobre as receitas neste ano da Villa Germania, maior produtora e única exportadora brasileira de carne de pato, codorna e frango orgânico. Em março, no entanto, a empresa catarinense começou a embarcar penas de pato para a Europa — um produto que pode gerar retornos significativos nos próximos anos.
Segundo o presidente da companhia, Marcondes Moser, a Villa Germania exportou neste ano sete contêineres de 10 toneladas de penas, principalmente para a Itália. O novo negócio deve responder por 3,5% da receita no próximo ano. As penas são vendidas por quilo e embarcadas em contêineres secos. Antes da exportação, passam por lavagem, desinfecção, tratamento térmico, secagem e compressão em sacos.
“No Brasil, vendemos por R$ 6 a R$ 9 o quilo para uso em travesseiros”, explica Moser. “A Itália também utiliza o produto para travesseiros, mas ele é amplamente aplicado na indústria da moda, como forro de casacos, e é vendido por R$ 30 o quilo.”
Com sede em Indaial (SC), a empresa projetava inicialmente crescimento de 10% na receita neste ano. A perspectiva foi comprometida pelos embargos impostos por vários países à avicultura brasileira após a identificação de um foco de gripe aviária, em maio, em uma granja comercial de Montenegro (RS). As vendas de produtos gourmet da Villa Germania no mercado interno, porém, ajudaram a compensar a perda das exportações. Como resultado, a receita alcançou R$ 120 milhões, praticamente estável em relação a 2024, afirma Moser.
Ele observa que 2025 foi um ano atípico, já que, em anos anteriores, as exportações respondiam por cerca de 70% da receita. Após o surto em Montenegro, vários países — entre eles Iraque, Filipinas, México e Chile — suspenderam temporariamente as importações de carne de pato. Ao mesmo tempo, a China intensificou suas exportações de carne de pato para mercados também atendidos pela Villa Germania.
“Houve queda de 10% tanto nos preços quanto nos volumes, mas no segundo semestre o cenário começou a melhorar, e agora estamos acelerando a produção”, afirma Moser. “Para o próximo ano, projetamos um aumento de 25% nas exportações.”
A Villa Germania realiza o abate de aves conforme os padrões halal, e seus principais clientes são a Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio. A empresa detém atualmente mais de 20 licenças de exportação para carne de pato, seu principal produto, e mantém negociações para abrir comércio bilateral com a China.
O foco estratégico da Villa Germania, contudo, segue sendo a exportação de carne de pato para o mercado europeu, que oferece maiores volumes e preços mais elevados. Atualmente, além das penas, a companhia exporta para a Europa apenas fígado, dorso e outros subprodutos do pato, utilizados na fabricação de ração para animais de estimação.
No abatedouro de Indaial, com capacidade para processar 50 mil aves por dia, a empresa — controlada pela holding XWR Investimentos — opera hoje com cerca de 15 mil aves diárias, incluindo patos e frangos orgânicos. Na unidade da Good Alimentos, em Coronel Freitas, dedicada ao processamento de codornas, o abate diário chega a 20 mil aves. A capacidade instalada, porém, é cinco vezes maior.
A produção de patos funciona em modelo integrado com 90 avicultores, que recebem aves e insumos para a criação. Já a produção de codornas é verticalizada, realizada em granja própria da empresa, que inclui matrizes, aviários e abatedouro.
Segundo Moser, a empresa espera iniciar no próximo ano a exportação de carne de codorna para países do Oriente Médio, onde há demanda pela proteína como alimento para falcões de corrida.
As altas taxas de juros levaram a Villa Germania a adiar neste ano um investimento planejado de R$ 15 milhões em um centro de armazenagem e abastecimento em Indaial, afirma Moser. Ainda assim, a companhia pretende construir, nos próximos anos, uma nova fábrica para o processamento de penas de pato.
No mercado interno, a maior demanda por carne de pato vem de restaurantes e supermercados de São Paulo, seguida por cidades de Santa Catarina que preparam o prato tradicional que deu origem à Villa Germania — o marreco recheado — e pelo Pará, onde o pato no tucupi é especialmente popular.
De acordo com o Sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil exportou 2.030 toneladas de carne de pato até novembro deste ano, gerando receita de US$ 6,79 milhões. Isso representa uma queda de 33,7% em volume em relação às 3.070 toneladas exportadas no mesmo período do ano passado, além de recuo de 35,18% na receita. Mais da metade das exportações brasileiras de carne de pato tem como destino o Oriente Médio.
Fonte: Valor International
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