Inflação anual da Argentina fecha 2025 no menor nível em mais de sete anos
jan, 13, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202603
A taxa anual de inflação da Argentina encerrou 2025 no menor patamar em mais de sete anos, segundo pesquisa da Reuters, sinalizando que as políticas de abertura comercial e as medidas de austeridade adotadas pelo presidente Javier Milei reduziram as pressões de preços na segunda maior economia da América do Sul.
A alta nos preços de vestuário e eletrodomésticos desacelerou no ano passado, à medida que o impulso de Milei para abrir a economia ampliou a concorrência com a entrada de importações mais baratas.
Outros componentes do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também devem ter perdido força em resposta às medidas contínuas do governo para conter os gastos.
A inflação anual desacelerou para 31,0% em dezembro, ante 31,4% em novembro, de acordo com a mediana das estimativas de 20 economistas ouvidos entre 7 e 12 de janeiro.
Esse resultado representaria a menor taxa anual desde os 29,5% registrados em junho de 2018. Em dezembro de 2024, a inflação havia alcançado 117,8%, quando o governo Milei implementava as primeiras etapas do chamado plano da “motosserra”, com cortes agressivos de gastos para estabilizar a economia.
Na comparação mensal, o IPC de dezembro é estimado em alta de 2,5%, mesma variação observada em novembro. Os dados oficiais serão divulgados em 13 de janeiro.
“Vestuário e equipamentos domésticos estiveram entre as divisões do IPC com as menores variações, influenciadas em parte pela liberalização comercial”, disseram analistas da Wise Capital.
Em contraste, “os serviços lideraram as altas, impulsionados principalmente por tarifas públicas e aluguéis, refletidos no grupo Habitação, Água, Eletricidade, Gás e Outros Combustíveis”.
As importações de bens a preços menores da China e do Brasil, principal polo industrial da América do Sul, aumentaram de forma significativa após Milei flexibilizar as restrições comerciais ao assumir o governo, há dois anos.
O gráfico a seguir mostra o ritmo das importações de contêineres da Argentina, que geralmente transportam mercadorias de maior valor agregado, de janeiro de 2022 a novembro de 2025. Os dados foram coletados pelos especialistas em inteligência de mercado da Datamar.
Importações de Contêineres da Argentina | Jan 2022 – Nov 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Em novembro, o governo assinou um acordo tarifário com os Estados Unidos. Novas medidas de liberalização podem avançar com um eventual acordo entre a União Europeia e o Mercosul, bloco que reúne Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.
A valorização do peso também contribuiu para conter a inflação no início de 2025, combinada com reajustes salariais mais moderados, em um contexto de instabilidade cambial na segunda metade do ano.
“O arrefecimento da inflação foi ajudado na primeira parte de 2025 pelo câmbio, que funcionou como âncora”, afirmou Ignacio Ruiz, economista da Ecolatina. “Mas, a partir de abril, foi a âncora salarial que compensou o maior dinamismo cambial na segunda metade do ano, em meio à incerteza eleitoral.”
Para o fim de 2026, a estimativa consensual de analistas em pesquisa do banco central aponta inflação anual de 20,1%, o menor nível em quase 20 anos.
Em outubro, o instituto nacional de estatísticas, o INDEC, anunciou a adoção de uma nova metodologia do IPC a partir dos dados de janeiro de 2026, cuja divulgação está prevista para o próximo mês. Alguns economistas avaliam que a mudança pode resultar em leituras ligeiramente mais altas, já que a nova metodologia tende a atribuir maior peso aos preços de serviços, que avançam mais rapidamente.
Reportagem e apuração por Hernan Nessi e Gabriel Burin; Edição por Ross Finley e Barbara Lewis.
Fonte: Reuters
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