Economia

Trump e Xi acertam trégua de um ano e anunciam acordo sobre terras-raras e tarifas

out, 30, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana20252045

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, se reuniram nesta quinta-feira e acertaram uma trégua de um ano na guerra comercial. Foi o primeiro encontro dos dois frente a frente desde 2019. O acordo envolve redução de tarifas sobre produtos chineses, fim do controle a exportações de terras-raras por parte de Pequim e retomada da compra de soja americana. Ficaram de fora do acerto o novo superchip da Nvidia, o Blackwell, e o futuro do TikTok nos EUA.

O que a China se comprometeu a fazer:

  • suspender controles sobre ímãs de terras-raras. Pequim havia apertado drasticamente suas restrições a exportação desses minerais no início deste mês.
  • suspender taxas portuárias especiais aplicadas a navios dos EUA.
  • retomar a compra de soja americana.

O que os EUA se comprometeram a fazer:

  • reduzir a tarifa média de importação sobre produtos chineses de 57% para 47%.
  • reduzir a tarifa sobre produtos relacionados ao fentanil de 20% para 10%. com efeito imediato.
  • retirar a ameaça de taxar em 100% as importações vindas de Pequim. Trump havia ameaçado impor essa tarifa a partir de novembro.
  • suspender as taxas portuárias especiais aplicadas a navios chineses que atracam em portos americanos.

Trump e Xi conversaram por cerca de uma hora e meia. Logo após o fim do encontro, o presidente americano deixou a Coreia do Sul. Na saída, ambos os líderes evitaram dar declarações. Mas já a bordo do avião presidencial Air Force One, o republicano anunciou ter chegado a um acordo com Xi e comentou a reunião dos dois.

— Eu diria que, em uma escala de zero a dez, sendo dez o melhor, diria que a reunião foi um 12 — disse Trump a jornalistas no Air Force One, após o encontro com Xi em Busan, Coreia do Sul. —Toda a relação é muito, muito importante. Acho que foi muito boa.

E emendou:

— Tudo relacionado aos elementos de terras-raras foi resolvido, e isso vale para o mundo.

A China havia imposto restrições às exportações de terras-raras após o tarifaço de Trump, anunciado em abril. O gigante asiático praticamente monopoliza a produção desses materiais, essenciais para indústrias como a tecnológica e de defesa.

No caso do fentanil, Trump havia taxado uma lista de produtos chineses em retaliação à suposta falta de empenho de Pequim para conter o fluxo ilegal da droga para os EUA.

O presidente americano acusa China, México e Canadá de não se esforçarem para conter o tráfico ilegal do entorpecente. O fentanil é o analgésico opioide sintético mais potente disponível para uso em tratamento médico atualmente, mas é contrabandeado e usado por dependentes químicos.

Segundo a CNN, o acordo comercial será assinado em breve.

— Temos um acordo. Agora, todos os anos vamos renegociá-lo, mas acho que o acordo vai durar muito tempo. É um acordo de um ano e vamos estendê-lo depois de um ano — afirmou Trump.

Chips e TikTok de fora

Apesar do acordo em áreas relevantes, ao menos dois assuntos ficaram de fora: chips e TikTok. Havia uma expectativa que os dois líderes pudessem chegar a um consenso sobre o fornecimento de linhas mais avançadas de semicondutores para a China, como o chip Backwel, da americana Nvidia.

Trump limitou-se a dizer que planeja conversar com o CEO da empresa, Jensen Huang, mas não deu indicação de que qualquer acerto tivesse sido alcançado.

Quanto ao TikTok, o Ministério do Comércio da China afirmou nesta quinta-feira que está comprometido em resolver adequadamente essa questão, sem mencionar detalhes.

O acordo idealizado por Trump prevê a criação de uma nova empresa que assumiria o negócio do TikTok nos EUA, controlada majoritariamente por investidores americanos, com a participação da chinesa ByteDance, que controla o app de vídeos, reduzida a menos de 20%. Isso seria uma exigência de uma lei de segurança nacional.

Novo encontro

Trump e Xi se encontraram em Busan, na Coreia do Sul, cidade próxima a Gyeongju, onde líderes de Estado da região participavam da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Trump chamou Xi de “negociador muito duro” enquanto apertavam as mãos. Xi, por sua vez, disse que eles “devem ser parceiros e amigos”, e que podem “assumir conjuntamente” sua “responsabilidade como países importantes e trabalhar juntos para alcançar coisas maiores e concretas”.

Sentados frente a frente quando começou a reunião bilateral, a portas fechadas, cada líder estava acompanhado por altos funcionários, entre eles o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e seu homólogo chinês, Wang Yi.

O presidente dos EUA afirmou que visitará a China em abril do ano que vem, e garantiu que Xi visitará os EUA algum tempo depois disso.

Teste nuclear

Pouco antes da reunião com Xi Jinping, Trump anunciou a retomada dos testes nucleares dos Estados Unidos, em resposta à Rússia e à própria China. O presidente Vladimir Putin havia anunciado, na véspera, que Moscou testou com sucesso um drone submarino com capacidade nuclear e propulsão nuclear, desafiando os alertas de Washington.

Na sua rede social, Trump acrescentou que, em termos de arsenais nucleares, a China ocupa um “distante terceiro lugar” atrás dos Estados Unidos e da Rússia, “mas que em cinco anos estará no mesmo nível”.

Segundo o Boletim de Cientistas Atômicos, o último teste nuclear da China ocorreu em 1996 e o dos Estados Unidos em 1992.

* Com AFP

Fonte: O Globo

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